quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A melhor religião

Recebi um e-mail com este texto. Resolvi publicá-lo pois representa exatamente o que penso sobre o tema.
Vale a pena...

Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama.

Leonardo Boff explica:

"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s the best religion?)
Esperava que ele dissesse:
"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo."
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou: "A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito". É aquela que te faz melhor..."
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
- "O que me faz melhor?"
Respondeu ele:
-"Aquilo que te faz mais compassivo" (e aí senti a ressonância tibetana, budista,
taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável...
Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião.
O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo...
Lembremos:
"O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos".
A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal.
Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade:

"terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros".

Para muitos, ser feliz não é questão de destino.

É de escolha.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pão e Circo

Durante um jogo de futebol do Campeonato Brasileiro vi meu irmão mais novo se revoltando contra seu time de coração. Eu não o recrimino, sou santista desde criança e me chateio quando meu time dá vexame. Porém algo me incomoda quando vejo muitas pessoas indo muito além disso.
Como escrevi alguns textos atrás é triste quando brasileiros colocam seu time na frente de tantas outras coisas mais importantes. Quando eu era criança ouvia uma frase que hoje me faz sentido: "esse deixa de comprar o leite das crianças para comprar o ingresso do jogo...".
Repito: nada contra o futebol em si. Eu amo este esporte! Só gostaria que ele fosse visto assim: como um esporte.
A humanidade vem evoluindo, milhares e milhares de anos, e, infelizmente, algumas mazelas também.
Na época do Império Romano, décadas antes de Cristo, os imperadores inventaram uma grande "sacada", o Pão e Circo. Como desfocar o povo do que acontecia no Senado? Joguem pães e dêem diversão que eles se distraem...
Incrível o grau de evolução que essa máxima chegou aos dias atuais. O mesmo pão e circo ainda persiste, só que hoje o povo não tem o pão e ainda paga pelo circo!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Hino Nacional

Quem não se lembra da Fafá de Belém cantando o Hino Nacional (e ele deveria sempre ser escrito assim, com letras maiúsculas!) quando morreu Tancredo Neves? Ou mesmo num jogo de futebol da seleção brasileira quando é tocado ao vivo.
Ele sempre nos emociona - só não quando é cantado pela Vanuza... - e deveria ser tocado em todas as escolas do nosso país. O cidadão quando é patriota se torna muito mais ético e não teríamos tantos desvios de dinheiro se nossos políticos fossem patriotas.
Em Cabaceiras-PB ganhamos um lindo presente na abertura dos trabalhos na escola: um aluno (infelizmente não sei o seu nome) nos tocou o hino no saxofone. Tive até que parar de gravar a segunda parte para aproveitar ao máximo naquele momento. Segue abaixo. Uma maravilha!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Flores, crianças e música

Fim de semana estava num churrasco na casa de um amigo e num certo momento comecei a bater um papo com a sua avó. Muito simpática e inteligente. É sempre ótimo conversar com "vózinhas", elas (ou eles, os vôzinhos) tem uma experiência riquíssima de vida e no mínimo ficamos impressionados com descrições de uma época em que nem sonhávamos nascer - nem nossos pais.
Ela nasceu em 1925. "Mil novecentos e vinte e cinco... Meu Deus, tinha acabado a Primeira Grande Guerra fazia pouquíssimos anos.", pensei. Sem contar que viveu numa época em que nosso país florescia. Era um Brasil que parecia decolar, na música, literatura, esportes. Ouviu o lançamento de Chega de Saudade e da Bossa Nova, leu textos diários do Nelson Rodrigues no Jornal do Brasil, sofreu com a derrota do Brasil na Copa do Mundo de 50, no Maracanã.
Ah, que época boa! Ninguém imaginaria que passaríamos anos de trevas após o golpe militar.
Depois de um ótimo papo fui para casa e no dia seguinte encontrei uma outra "vózinha", esta, minha tia-avó. Numa conversa bem tranquila, enquanto ela nos agradecia pelas flores que a presenteamos me disse uma frase certeira:
- Meu filho, quem não gosta de flores, crianças e música que não seja meu amigo!
Não sei se eu terminaria assim a frase, mas tenho que concordar que exageros à parte ela encerra uma tremenda verdade.
Nada como a sabedoria dos mais velhos. Vamos, literalmente, vivendo e aprendendo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os três macacos

Num fim de semana fiz um passeio muito bacana - fui conhecer o Templo Budista de Cotia. Um lugar muito bonito, visual bem bucólico e por onde andamos cruzamos com monges em suas túnicas laranjas que transpiram paz.
Lá revi um desenho que conheço desde criança, porém só naquele dia fiquei sabendo do real significado: os três macacos sábios.
Na verdade, quando os vi, ainda não sabia que eram sábios e isso mostra o quanto eu não sou nem um pouco. Sempre pensei que eram os macacos, um cego, um surdo e um mudo e nem imaginava o porquê.
O budismo é realmente uma doutrina linda e diz a lenda que o símbolo dos macacos foi introduzido por um monge séculos atrás e significa: não falar o mal, não ver o mal e não ouvir o mal.
Gandhi sempre levava consigo uma pequena escultura com os três macacos, para estar sempre atento aos ensinamentos.
E realmente, como a vida pode ser melhor se simplesmente uma pessoa ignorar as coisas más. Deixar uma fofoca ou comentário maldoso entrar por um ouvido e sair pelo outro ou simplesmente segurar aquela reclamação que quase escapa da boca no trânsito.
Comprei um amuletinho com os três macacos. Eles agora me olham da mesa do meu consultório. Bom, pelo menos dois deles...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Os carrões

Era mais um dia comum, como os outros de trabalho no sertão: crianças com cáries enormes e alguns dentes que já não mais havia o que fazer: canal exposto ou indicados para extração.
E como em outros dias eu perguntava a algum adulto como era o atendimento odontológico no posto de saúde da região.
"Eles estão sem material lá, por isso só estão arrancando."
A resposta também era comum, já a havia escutado em outras cidades. Mas dessa vez doeu um pouco mais. Não sei se, como numa pancada leve no mesmo lugar, várias vezes, o incômodo vai se tornando insuportável, ou se estou ficando velho, mas naquela hora deu vontade de ir até a prefeitura e esbravejar. No fundo sei que de nada adiantaria...
O que resolveria era a comunidade se reunir e protestar em frente aos homens do povo, para que eles fizessem juz a esse nome. Mas como estava ali para trabalhar e não para agitar passeatas resolvi tentar fazer minha parte e continuar trabalhando.
Mas não parei de pensar como um prefeito não tem peso na consciência, ou como pode nem tê-la. O gasto com material odontológico em um mês não deve chegar a 500 reais em um posto do interior (e estou chutando alto!). O que é esse valor para um prefeitura? E não me venha niguém falar que algumas cidades são muito necessitadas, pois mesmo nas mais precárias já vi prefeito descer de uma Hi-Lux zero. Quanto sai um carro deste por mês entre impostos e combustível - e nem comento o preço de compra -. Então que troquemos o carro importado por um Uninho zero (pode até ter ar-condicionado!). Eu como "chefe da cidade" me orgulharia de desfilar num carro popular e colocar material no posto de saúde.
Não generalizo. Há prefeitos que hoje tranformaram em lei projetos que implantamos em algumas escolas (como o escovódromo e escovação diária), o que nos enche de orgulho e felicidade. Agora muitos outros...
Temos então que fazer uma campanha: Abaixo a Hi-Lux e viva o Uninho!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O pagamento

Retornamos de viagem na última sexta-feira. Foram 21 dias na estrada, em um trabalho que nem eu, nem nenhum de meus amigos, conseguimos mais deixar de fazer.
Em uma dessas cidades conheci Joanita. Já a havia conhecido na etapa anterior, sempre prestativa, nos ajudou muito, principalmente cuidando de nossas refeições, na escola e na pousada.
Porém não tive o prazer de atendê-la em maio, quem o fez foi Wanderson, dentista, protético, grande amigo e parceiro de viagens. Ele realiza moldagens e confecciona próteses a serem entregues em outra visita. E foi assim que conheceu Joanita, que tinha uma dentadura quebrada que a incomodava a muitos meses.
Mas tive o prazer de entregar a prótese pronta a ela, já que emu amigo não pode estar nessa cidade (estaria nas duas seguintes). E assim acabei recebendo o pagamento por ele. Não, nós realmente não cobramos pelas próteses, mas o que recebi foi muito maior do que qualquer um jamais poderia pagar com sua carteira: um agradecimento emocionado e os olhos cheios de lágrimas. Tento repassar o "valor" recebido ao grande amigo.
Joanita retirou a prótese antiga, quebrada, que ainda machucava sua boca. Colocou a nova e abriu um sorriso largo, expontâneo, sem que ao menos eu tivesse tempo de pedir isso a ela.
"- Nossa, que alívio, meu filho..." - disse ainda de olhos fechados.
Passei o espelho para que ela pudesse ver o resultado e perguntei se havia gostado. Com os olhos cheios de lágrimas me respondeu:
"- Meu filho, eu fiz essa prótese antiga com um homem que não era dentista, faz muito tempo, e ela começou a me machucar muito. Você sabe o que é pensar que está com câncer? Pois foi o que me disseram desse machucado, que eu tinha que fazer uma dentadura nova com um dentista de verdade.
Mas como? Faço bicos quando aparecem, fiz o almoço e jantar de vocês e consegui 15 reais. Não sou aposentada, não trabalho, como posso juntar dinheiro para pagar uma nova?
Foi Deus quem colocou vocês aqui nessa comunidade pra ajudar a gente. Que Ele ilumine sempre o caminho de vocês..."
Disse e começou a chorar.
Me senti muito feliz pelo Wanderson, por fazer parte da equipe e por, simplesmente, receber aquelas palavras de agradecimento.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Deus e eeeeeu, no sertãaaaao...

Pois é, mais uma etapa do trabalho no sertão. Estamos de saída hoje (até por este motivo estou com uma pressa danada. Sempre arrumo a mala aos 45 do segundo tempo...) para o trabalho do Intituto no sertão. será o mesmo trajeto que percorremos em maio.
Tentarei escrever algo durante o percurso.
Voltamos em breve!

Grande abraço!
Wolber Campos

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Acorda gente!" (por João Victor)

É meu amigo. O país vive ainda uma ditadura disfarçada de democracia. Os principais veículos de comunicação, redes de telejornalismo acreditadas por serem sérias pela maioria da população, ou grandes revistas que vem com escandalos políticos na capa, na verdade, na maioria das vezes tem mais a intenção de detonar tal partido, ou tal político defendendo o grupo político ao qual estão atrelados. É isso mesmo pessoal, a maioria sabe disso mas é melhor reforçar a informação: Globo, Record, Estadão, Veja, Folha de S. Paulo e etc., todos tem um interesse político por trás daquelas épicas reportagens. São VENDIDOS,e duas vezes: uma para o grupo político que defendem; oe dua para o cidadão comum que quer se manter informado. Claro que nem tudo é mentira, mas saber filtrar as informações é importante. Como? Conversando com as pessoas sobre isso, "o que que você acha de tal opinião?" . No final das contas o que resta mesmo é a sinceridade das pessoas, a um questionar de uma questão essencial: "será que isso é realmente verdade?" . . .
Ainda bem que nos resta esse meio em que podemos nos expressar de forma livre - parecido com a forma que os jovens que moram em países ditatoriais (China) tem conseguido se expressar - a internet. Criticar, pensar em mudar, tudo isso faz parte do processo, mas deixar de se expressar é jogar tudo isso no lixo. Claro que não falo para virarem uns chatos que só falam de política, mas toda a vez que o assunto vier à tona ou toda vez que sentir que a conversa pode evoluir para um lado como esse, não ter medo de expor uma opinião, e o mais importante, não ter medo de ouvir atentamente a opinião dos outros. Fazer também é importante, mas talvez venha como um próximo passo, pois deve haver interesse para que algo seja feito. Enquanto uns bunda-moles estiverem confortavelmente assistindo à Sessão da Tarde, logo após o Vale a Pena ver de Novo, um pouquinho antes de Malhação todos os dias, sem criar nada novo, sem nem procurar por uma identidade, nem que seja a sua própria, o país VAI viver nessa e a pessoa também. Aliás esse é o modelo de uma tarde medíocre que pode ser comparada a uma vida sendo vivida assim, de modo medíocre também: começo, meio e fim - Vale a Pena ver de Novo, Sessão da Tarde e Malhação. No fim, dessa vida, o que você terá feito de verdade? Estava sol lá fora, você nem viu;
E eu só sei disso, por que muitas vezes eu mesmo me vejo preso a um mundo bunda-mole, em estado de letargia. "ACORDA GENTE!" . . . nós podemos realizar muito, mas precisamos nos capacitar, trabalhar, ganhar dinheiro com boas idéias e procurar reinvestir o que agente puder: tempo, dinheiro,e até mesmo o amor em ações que ajudem a esse país sair da lama. Que ajude a mostrar aos outros e ao povo, que não pode enxergar apesar de poder ver, que o país esta sendo roubado e de forma descarada. Consciência ao povo, começa com quem tem mais, ou quem pode ver mais, ajudando a quem está vendo menos. "ACORDA GENTE".
Abraços Wolbão.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O foco

O brasileiro é um povo sem igual. Em sua maioria é alegre, amável, solidário. Bom, sendo assim o país deveria deslanchar. Pois é, deveria...
Infelizmente o maior defeito do nosso país é a corrupção generalizada que "infecta" nossa política. São muitos e muitos milhões de reais desviados, nós nem fazemos idéia da montanha de dinheiro que em vez de retornar à população - em investimentos na saúde, educação, saneamento, desenvolvimento - vão para o bolso de poucos brasileiros.
Se a torneira aberta que verte o dinheiro público para a corrupção fosse fechada somente pela metade isso já seria suficiente para o Brasil começar a decolar mas, enfim, tudo permanece como a anos atrás. Os políticos são denunciados por corrupção, provas aparecem, assinaturas, eles se seguram no cargo até onde podem, quando não mais conseguem renunciam e basta novas eleições para que voltem aos cargos e à festança.
Temos um ex-prefeito aqui em São Paulo que, para mim, é um dos maiores exemplos de impunidade. São tantas as provas de que ROUBOU da prefeitura que o próprio banco da Suíça para onde ele havia enviado o dinheiro enviou os documentos, assinaturas, extratos, como quem nos avisa: "brasileiros, acordem! Dêem uma olhada quanto dinheiro esse homem mandou pra cá desviando de vocês!".
Isso já faz alguns anos e o que aconteceu? Nada. Momentâneas brisas de esperança passam quando congelam seus bens, surge a idéia de que possa acontecer algo, mas, como sempre, nada.
Com Sarney acontece o mesmo que já aconteceu com outros dois recentes presidentes do senado, só que agora ainda há algo mais preocupante: ele, diferente dos outros, nem perdeu a cadeira de presidente da instituição.
Pois é, então não temos esperança? Temos sim, e só depende de nós. De mim, do vendedor de cachorro quente da esquina, do dono de bar, do meu amigo do sertão que está sentado na frente do computador lendo esse texto...
Temos que ajustar nosso foco. Ontem a Portuguesa (time daqui de São Paulo) perdeu um jogo em casa. Foi o bastante para que a torcida se revoltasse e alguns homens invadissem o vestiário, armados, para cobrar essa derrota.
São vários os exemplos semelhantes, há pouco tempo me lembro de um jogo do Corínthians no estádio do Pacaembú, quando ele perdeu a classificação na Libertadores da América. A torcida enlouqueceu, derrubou o alambrado que cercava o campo, enfrentaram e agrediram policiais. No dia seguinte foram à frente do Parque São Jorge, onde o time treina, e cobraram mais raça, vontade, chutaram carros e ameaçaram os jogadores. Quanta enegia desperdiçada.
Isso pra quê? O que o time ganhar ou perder vai mudar na vida daquele cidadão? Ele vai tirar um sarro do amigo dia seguinte ou ser "zoado". Grande coisa.
Se pessoas que em vez de usar seu tempo para essas ações o usassem para pedir mais ética na política já seria um ótimo começo. Os deputados vão votar o próprio aumento de salário e já possuem milhares de outros benefícios, 3 meses de férias e por aí vai. Quantas pessoas vão na frente da Câmara para protestar?
Em compensação vá o time do coração passar por uma má fase.
Enquanto não acertarmos o foco, em cheio, tudo permanecerá do mesmo jeito. Denúncias virão e no final: nada.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sons

Um dos sons que estou mais escutando nesses dias é o acústico MTV do Lenine. Eu pouco conhecia dele - apenas as músicas mais famosas - e esse cd é tão bom que não para de ouví-lo de "cabo a rabo".
Vi no Youtube alguns clipes desse acústico que me impressionaram mais ainda, deixo os links abaixo. É uma produção muito bonita, de interpretações no palco e de tomadas de câmeras da mtv. Vale a pena ter o dvd (original!).
Espero que gostem como eu curti.
Grande abraço!
Wolber Campos

O atirador: http://www.youtube.com/watch?v=dFHqQW24i00

O Último Por do Sol: http://www.youtube.com/watch?v=qoeBK1MxI_U&feature=related

Miedo: http://www.youtube.com/watch?v=pdt7qKLJDvg&feature=related

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Trabalho interior (por João Victor Macul)

João Victor comentou o texto "O inferno" e o resultado segue abaixo... Valeu Johhny!
Wolber Campos

Que sonho hein? Ilariê e sua turma logo a dois pisos abaixo de você?! Eu tive uma vizinha assim, era uma merda, mas sabe do que, é bem o que você falou: eles vivem num inferno dentro deles. Há um ditado que diz que quem não tem prazer o suficiente se torna um estraga prazeres. Do lado do meu prédio havia um terreno enorme que era um estacionamento, tinha dois Ipês Roxos que no inverno floriam, era lindo de ver. Venderam o terreno para uma construtora e agora está saindo um outro prédio com duas torres. Todo o dia começa o barulho por volta das 7:00 da manhã, literalmente na minha orelha. Ah, e bye bye Ipês. O que fazer com esse sentimento de raiva, que é evidente? Cada um pode achar um jeito de lidar com isso. Esconder é impossível, ele esta aí. Descontar nas outras pessoas é pior ainda. Situações e pessoas vão despertar raiva, alegria, inveja, tristeza em cada um de nós, mas tudo isso já estava dentro de você, em estado latente. Trabalhar todos esses sentimentos através de filosofias, exercícios, religiões ou seja lá o que for é uma opção pessoal, mas para que haja paz lá fora tem que haver paz dentro de nós. Esses indivíduos devem estar se sentindo tão vazios de qualquer coisa que não seja a nossa vazia sociedade de consumo que canalizam toda essa energia descontando em pessoas, ou coisas e etc. Mas cria-se aí um ciclo vicioso, como uma droga mesmo, por que toda vez que esse vizinho desconta a raiva em você ele relaxa por alguns minutos e depois tudo isso volta de uma forma pior ainda. Enquanto o cara não se tocar disso ele vai seguir infeliz, e viciado para o resto da vida. Acho que pra você eu só consigo ver três opções (aliás vou cobrar uma pequena taxa por essa consultoria com um ser tão iluminado como eu, huahuahua): querer que o cara encontre algo que o deixe mais calmo: um esporte, uma filosofia, ou, dependendo do caso, até mesmo um bofe; rezar pro cara se mudar e enquanto isso exercitar o duro ofício da paciência; ou se mudar logo. Um abraço, to com saudade de você cara, desculpe o longo texto.

João Victor

sábado, 15 de agosto de 2009

Os dois textos

A partir dessa semana tentarei algo que necessita muita coragem, que pessoas cardíacas ou que não aguentam emoções fortes não deveriam tentar: escreverei dois textos por semana.
Veremos até quando resistirei a isso...
Grande abraço!
Wolber Campos

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A noite especial

Toda noite era sempre igual. Ao chegar do trabalho, na calçada em frente ao meu prédio, estava aquele senhor, dormindo no chão, enrolado em um velho cobertor. Como infelizmente acontece conosco, mesmo situações que nos tocam, tornam-se menos agressivas na repetição do cotidiano. Fato que era quebrado esporadicamente, nas noites mais frias onde a compaixão voltava a aflorar com violência.
Todo dia era quase sempre igual. Eu sabia se estava atrasado ou não apenas de olhar para aquele senhor. Se desço para o trabalho às 7:10h ele está sentado, como quem espera aquela democrática preguiça ir embora para despertar completamente e se levantar. Quando saio pouco mais cedo ele ainda está enrolado na coberta, dos pés à cabeça, como estava de noite e se saio atrasado - mesmo 5 minutos - ele não está lá. Parece um relógio!
Essa convivência até nos aproxima, o senhor passa a ser, praticamente, o meu vizinho. Eu o vejo mais do que muitos vizinhos que moram dentro do prédio (não tanto como a mulher de baixo...) e com isso virou natural cumprimentá-lo. Desço de manhã com minha namorada e solto o meu "bom-dia", que é correspondido com um aceno de mão e um abaixar de cabeça.
Uma noite eu cheguei mais cedo e ele estava arrumando um papelão - seu colchão - no mesmo lugar de sempre. Passei e o cumprimentei. Ele dessa vez ergueu a mão e me dirigiu, pela primeira vez, a palavra:
- "Ei fio. Viu, eu gosto muito. Você todo dia passa com sua mulher e me fala "bom dia". Olha, eu gosto muito viu!"
E me disse de como se sente bem ali; ninguém reclama dele, o deixam em paz. E novamente me agradeceu muito o gesto de lembrar dele todo o dia.
Fiquei muito feliz em vê-lo contente por causa de algo tão simplório, apesar de saber que para ele não era nada simples receber um alô de qualquer pessoa. Não sabia que ele recebia tão bem meu cumprimento.
Toda noite era igual. Aquela foi diferente. Pelo menos para mim foi especial.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O inferno

Durante séculos a humanidade vive com suas alegorias de céu e inferno que povoam a cabeça de milhões de pessoas e ainda tira o sono de muitos pecadores (não em Brasília, é claro).
Eu cresci, como muitas crianças, com a idéia de que embaixo da terra existia um inferno, com seres do mal que procurariam prejudicar e atrapalhar a vida dos pobres mortais aqui em cima.
Hoje, muitos anos depois, chego à triste conclusão de que, pelo menos para mim, isso se tornou uma realidade.
Moro em um prédio, num apartamento do segundo andar. Porém ali, sob meus pés, está a personificação do mal, das agruras e sofrimentos, dos tormentos e dos desejos malévolos: a vizinha do primeiro andar.
Foram mais de 22 anos morando no mesmo local, um bom lugar, vivendo em paz e harmonia com todos os vizinhos. A três anos atrás morava um casal de velhinhos, muito bonzinhos e que nos conheciam desde crianças e sempre nos cumprimentavam com sorrisos. Mesmo quando eu e meus dois irmãos na loucura infantil de gastar as energias jogávamos bola no apartamento e comemorávamos gols como se fossem a final do campeonato brasileiro.
Há dois anos (pouco tempo depois do simpático casal se mudar) passou a viver ali uma família - um casal e uma filha de seus 18 ou 19 anos. A partir daí passei a ver aquela alegoria que estava escondida nas profundezas de meu cérebro surgir como se sempre estivesse ali, pronta para saltar diante dos meus olhos.
Desde os primeiros dias a vizinha de baixo - como a chamamos - tem como principal passatempo reclamar em nossa porta - ou pelo interfone, ou pelo telefone, ao porteiro, enfim, em qualquer veículo que se faça ouvir. O menor barulho, em qualquer horário é motivo para reclamações, ofensas verbais e ultimamente, na compania do "time completo" - marido e filha - até ameaças de agressões.
Sei que muitos podem defender seu próprio lado e colocar-se no papel de vítima, mas não é esse o caso.
Eu e minha namorada acordamos as 6:15h, tomamos banho, nos arrumamos e só na hora de sair ela coloca o salto alto para não haver qualquer reclamação - em torno das 7:15h. No dia seguintes há recados para minha mãe do tipo: "Não aguento mais a sua nora, que acorda e faz barulhos sapateando com seu salto e derrubando coisas que parecem que o teto cairá sobre a minha cabeça desde as 5:00h da manhã!!". Numa criatividade que daria inveja a Lucifer.
A imagino parada, sentada em sua sala, sem fazer nada, apenas de ouvidos atentos ao menor barulho, como se sua felicidade estivesse em pegar o interfone e discutir um pouco com alguém. Quem nunca viu alguém que discute em qualquer lugar: na padaria, na fila do banco, com a caixa do supermercado?
Num dos últimos bate-boca (aliás nem sei se o termo seria correto, pois as únicas bocas que funcionavam gritando eram a deles...) em nossa porta o marido ameaçou que nós iríamos nos "arrepender profundamente" caso o inferno de barulho não acabasse. Pensei: "será que ele não vê que o inferno fica ali embaixo, em sua própria casa?". Mas seria inútil falar, até porque eles nunca ouvem o que tentamos dizer.
Meus sobrinhos - um de 6 e outra de 4 anos - quando vão em casa para brincar sempre ouvem quando fazem barulho: "cuidado com a mulher de baixo", a versão mais atual do "bicho papão" ou do "homem do saco".
Muita gente tem a sua "vizinha de baixo", que pode ser a de cima, do lado, ou mesmo nem ser vizinha. E me pergunto o que faz essas pessoas viverem seu inferno astral. A histório do inferno está em nós mesmo é real, cabe a nós deixá-lo escondido e inacessível ou vivermos dentro dele.