terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Acorda gente!" (por João Victor)

É meu amigo. O país vive ainda uma ditadura disfarçada de democracia. Os principais veículos de comunicação, redes de telejornalismo acreditadas por serem sérias pela maioria da população, ou grandes revistas que vem com escandalos políticos na capa, na verdade, na maioria das vezes tem mais a intenção de detonar tal partido, ou tal político defendendo o grupo político ao qual estão atrelados. É isso mesmo pessoal, a maioria sabe disso mas é melhor reforçar a informação: Globo, Record, Estadão, Veja, Folha de S. Paulo e etc., todos tem um interesse político por trás daquelas épicas reportagens. São VENDIDOS,e duas vezes: uma para o grupo político que defendem; oe dua para o cidadão comum que quer se manter informado. Claro que nem tudo é mentira, mas saber filtrar as informações é importante. Como? Conversando com as pessoas sobre isso, "o que que você acha de tal opinião?" . No final das contas o que resta mesmo é a sinceridade das pessoas, a um questionar de uma questão essencial: "será que isso é realmente verdade?" . . .
Ainda bem que nos resta esse meio em que podemos nos expressar de forma livre - parecido com a forma que os jovens que moram em países ditatoriais (China) tem conseguido se expressar - a internet. Criticar, pensar em mudar, tudo isso faz parte do processo, mas deixar de se expressar é jogar tudo isso no lixo. Claro que não falo para virarem uns chatos que só falam de política, mas toda a vez que o assunto vier à tona ou toda vez que sentir que a conversa pode evoluir para um lado como esse, não ter medo de expor uma opinião, e o mais importante, não ter medo de ouvir atentamente a opinião dos outros. Fazer também é importante, mas talvez venha como um próximo passo, pois deve haver interesse para que algo seja feito. Enquanto uns bunda-moles estiverem confortavelmente assistindo à Sessão da Tarde, logo após o Vale a Pena ver de Novo, um pouquinho antes de Malhação todos os dias, sem criar nada novo, sem nem procurar por uma identidade, nem que seja a sua própria, o país VAI viver nessa e a pessoa também. Aliás esse é o modelo de uma tarde medíocre que pode ser comparada a uma vida sendo vivida assim, de modo medíocre também: começo, meio e fim - Vale a Pena ver de Novo, Sessão da Tarde e Malhação. No fim, dessa vida, o que você terá feito de verdade? Estava sol lá fora, você nem viu;
E eu só sei disso, por que muitas vezes eu mesmo me vejo preso a um mundo bunda-mole, em estado de letargia. "ACORDA GENTE!" . . . nós podemos realizar muito, mas precisamos nos capacitar, trabalhar, ganhar dinheiro com boas idéias e procurar reinvestir o que agente puder: tempo, dinheiro,e até mesmo o amor em ações que ajudem a esse país sair da lama. Que ajude a mostrar aos outros e ao povo, que não pode enxergar apesar de poder ver, que o país esta sendo roubado e de forma descarada. Consciência ao povo, começa com quem tem mais, ou quem pode ver mais, ajudando a quem está vendo menos. "ACORDA GENTE".
Abraços Wolbão.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O foco

O brasileiro é um povo sem igual. Em sua maioria é alegre, amável, solidário. Bom, sendo assim o país deveria deslanchar. Pois é, deveria...
Infelizmente o maior defeito do nosso país é a corrupção generalizada que "infecta" nossa política. São muitos e muitos milhões de reais desviados, nós nem fazemos idéia da montanha de dinheiro que em vez de retornar à população - em investimentos na saúde, educação, saneamento, desenvolvimento - vão para o bolso de poucos brasileiros.
Se a torneira aberta que verte o dinheiro público para a corrupção fosse fechada somente pela metade isso já seria suficiente para o Brasil começar a decolar mas, enfim, tudo permanece como a anos atrás. Os políticos são denunciados por corrupção, provas aparecem, assinaturas, eles se seguram no cargo até onde podem, quando não mais conseguem renunciam e basta novas eleições para que voltem aos cargos e à festança.
Temos um ex-prefeito aqui em São Paulo que, para mim, é um dos maiores exemplos de impunidade. São tantas as provas de que ROUBOU da prefeitura que o próprio banco da Suíça para onde ele havia enviado o dinheiro enviou os documentos, assinaturas, extratos, como quem nos avisa: "brasileiros, acordem! Dêem uma olhada quanto dinheiro esse homem mandou pra cá desviando de vocês!".
Isso já faz alguns anos e o que aconteceu? Nada. Momentâneas brisas de esperança passam quando congelam seus bens, surge a idéia de que possa acontecer algo, mas, como sempre, nada.
Com Sarney acontece o mesmo que já aconteceu com outros dois recentes presidentes do senado, só que agora ainda há algo mais preocupante: ele, diferente dos outros, nem perdeu a cadeira de presidente da instituição.
Pois é, então não temos esperança? Temos sim, e só depende de nós. De mim, do vendedor de cachorro quente da esquina, do dono de bar, do meu amigo do sertão que está sentado na frente do computador lendo esse texto...
Temos que ajustar nosso foco. Ontem a Portuguesa (time daqui de São Paulo) perdeu um jogo em casa. Foi o bastante para que a torcida se revoltasse e alguns homens invadissem o vestiário, armados, para cobrar essa derrota.
São vários os exemplos semelhantes, há pouco tempo me lembro de um jogo do Corínthians no estádio do Pacaembú, quando ele perdeu a classificação na Libertadores da América. A torcida enlouqueceu, derrubou o alambrado que cercava o campo, enfrentaram e agrediram policiais. No dia seguinte foram à frente do Parque São Jorge, onde o time treina, e cobraram mais raça, vontade, chutaram carros e ameaçaram os jogadores. Quanta enegia desperdiçada.
Isso pra quê? O que o time ganhar ou perder vai mudar na vida daquele cidadão? Ele vai tirar um sarro do amigo dia seguinte ou ser "zoado". Grande coisa.
Se pessoas que em vez de usar seu tempo para essas ações o usassem para pedir mais ética na política já seria um ótimo começo. Os deputados vão votar o próprio aumento de salário e já possuem milhares de outros benefícios, 3 meses de férias e por aí vai. Quantas pessoas vão na frente da Câmara para protestar?
Em compensação vá o time do coração passar por uma má fase.
Enquanto não acertarmos o foco, em cheio, tudo permanecerá do mesmo jeito. Denúncias virão e no final: nada.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sons

Um dos sons que estou mais escutando nesses dias é o acústico MTV do Lenine. Eu pouco conhecia dele - apenas as músicas mais famosas - e esse cd é tão bom que não para de ouví-lo de "cabo a rabo".
Vi no Youtube alguns clipes desse acústico que me impressionaram mais ainda, deixo os links abaixo. É uma produção muito bonita, de interpretações no palco e de tomadas de câmeras da mtv. Vale a pena ter o dvd (original!).
Espero que gostem como eu curti.
Grande abraço!
Wolber Campos

O atirador: http://www.youtube.com/watch?v=dFHqQW24i00

O Último Por do Sol: http://www.youtube.com/watch?v=qoeBK1MxI_U&feature=related

Miedo: http://www.youtube.com/watch?v=pdt7qKLJDvg&feature=related

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Trabalho interior (por João Victor Macul)

João Victor comentou o texto "O inferno" e o resultado segue abaixo... Valeu Johhny!
Wolber Campos

Que sonho hein? Ilariê e sua turma logo a dois pisos abaixo de você?! Eu tive uma vizinha assim, era uma merda, mas sabe do que, é bem o que você falou: eles vivem num inferno dentro deles. Há um ditado que diz que quem não tem prazer o suficiente se torna um estraga prazeres. Do lado do meu prédio havia um terreno enorme que era um estacionamento, tinha dois Ipês Roxos que no inverno floriam, era lindo de ver. Venderam o terreno para uma construtora e agora está saindo um outro prédio com duas torres. Todo o dia começa o barulho por volta das 7:00 da manhã, literalmente na minha orelha. Ah, e bye bye Ipês. O que fazer com esse sentimento de raiva, que é evidente? Cada um pode achar um jeito de lidar com isso. Esconder é impossível, ele esta aí. Descontar nas outras pessoas é pior ainda. Situações e pessoas vão despertar raiva, alegria, inveja, tristeza em cada um de nós, mas tudo isso já estava dentro de você, em estado latente. Trabalhar todos esses sentimentos através de filosofias, exercícios, religiões ou seja lá o que for é uma opção pessoal, mas para que haja paz lá fora tem que haver paz dentro de nós. Esses indivíduos devem estar se sentindo tão vazios de qualquer coisa que não seja a nossa vazia sociedade de consumo que canalizam toda essa energia descontando em pessoas, ou coisas e etc. Mas cria-se aí um ciclo vicioso, como uma droga mesmo, por que toda vez que esse vizinho desconta a raiva em você ele relaxa por alguns minutos e depois tudo isso volta de uma forma pior ainda. Enquanto o cara não se tocar disso ele vai seguir infeliz, e viciado para o resto da vida. Acho que pra você eu só consigo ver três opções (aliás vou cobrar uma pequena taxa por essa consultoria com um ser tão iluminado como eu, huahuahua): querer que o cara encontre algo que o deixe mais calmo: um esporte, uma filosofia, ou, dependendo do caso, até mesmo um bofe; rezar pro cara se mudar e enquanto isso exercitar o duro ofício da paciência; ou se mudar logo. Um abraço, to com saudade de você cara, desculpe o longo texto.

João Victor

sábado, 15 de agosto de 2009

Os dois textos

A partir dessa semana tentarei algo que necessita muita coragem, que pessoas cardíacas ou que não aguentam emoções fortes não deveriam tentar: escreverei dois textos por semana.
Veremos até quando resistirei a isso...
Grande abraço!
Wolber Campos

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A noite especial

Toda noite era sempre igual. Ao chegar do trabalho, na calçada em frente ao meu prédio, estava aquele senhor, dormindo no chão, enrolado em um velho cobertor. Como infelizmente acontece conosco, mesmo situações que nos tocam, tornam-se menos agressivas na repetição do cotidiano. Fato que era quebrado esporadicamente, nas noites mais frias onde a compaixão voltava a aflorar com violência.
Todo dia era quase sempre igual. Eu sabia se estava atrasado ou não apenas de olhar para aquele senhor. Se desço para o trabalho às 7:10h ele está sentado, como quem espera aquela democrática preguiça ir embora para despertar completamente e se levantar. Quando saio pouco mais cedo ele ainda está enrolado na coberta, dos pés à cabeça, como estava de noite e se saio atrasado - mesmo 5 minutos - ele não está lá. Parece um relógio!
Essa convivência até nos aproxima, o senhor passa a ser, praticamente, o meu vizinho. Eu o vejo mais do que muitos vizinhos que moram dentro do prédio (não tanto como a mulher de baixo...) e com isso virou natural cumprimentá-lo. Desço de manhã com minha namorada e solto o meu "bom-dia", que é correspondido com um aceno de mão e um abaixar de cabeça.
Uma noite eu cheguei mais cedo e ele estava arrumando um papelão - seu colchão - no mesmo lugar de sempre. Passei e o cumprimentei. Ele dessa vez ergueu a mão e me dirigiu, pela primeira vez, a palavra:
- "Ei fio. Viu, eu gosto muito. Você todo dia passa com sua mulher e me fala "bom dia". Olha, eu gosto muito viu!"
E me disse de como se sente bem ali; ninguém reclama dele, o deixam em paz. E novamente me agradeceu muito o gesto de lembrar dele todo o dia.
Fiquei muito feliz em vê-lo contente por causa de algo tão simplório, apesar de saber que para ele não era nada simples receber um alô de qualquer pessoa. Não sabia que ele recebia tão bem meu cumprimento.
Toda noite era igual. Aquela foi diferente. Pelo menos para mim foi especial.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O inferno

Durante séculos a humanidade vive com suas alegorias de céu e inferno que povoam a cabeça de milhões de pessoas e ainda tira o sono de muitos pecadores (não em Brasília, é claro).
Eu cresci, como muitas crianças, com a idéia de que embaixo da terra existia um inferno, com seres do mal que procurariam prejudicar e atrapalhar a vida dos pobres mortais aqui em cima.
Hoje, muitos anos depois, chego à triste conclusão de que, pelo menos para mim, isso se tornou uma realidade.
Moro em um prédio, num apartamento do segundo andar. Porém ali, sob meus pés, está a personificação do mal, das agruras e sofrimentos, dos tormentos e dos desejos malévolos: a vizinha do primeiro andar.
Foram mais de 22 anos morando no mesmo local, um bom lugar, vivendo em paz e harmonia com todos os vizinhos. A três anos atrás morava um casal de velhinhos, muito bonzinhos e que nos conheciam desde crianças e sempre nos cumprimentavam com sorrisos. Mesmo quando eu e meus dois irmãos na loucura infantil de gastar as energias jogávamos bola no apartamento e comemorávamos gols como se fossem a final do campeonato brasileiro.
Há dois anos (pouco tempo depois do simpático casal se mudar) passou a viver ali uma família - um casal e uma filha de seus 18 ou 19 anos. A partir daí passei a ver aquela alegoria que estava escondida nas profundezas de meu cérebro surgir como se sempre estivesse ali, pronta para saltar diante dos meus olhos.
Desde os primeiros dias a vizinha de baixo - como a chamamos - tem como principal passatempo reclamar em nossa porta - ou pelo interfone, ou pelo telefone, ao porteiro, enfim, em qualquer veículo que se faça ouvir. O menor barulho, em qualquer horário é motivo para reclamações, ofensas verbais e ultimamente, na compania do "time completo" - marido e filha - até ameaças de agressões.
Sei que muitos podem defender seu próprio lado e colocar-se no papel de vítima, mas não é esse o caso.
Eu e minha namorada acordamos as 6:15h, tomamos banho, nos arrumamos e só na hora de sair ela coloca o salto alto para não haver qualquer reclamação - em torno das 7:15h. No dia seguintes há recados para minha mãe do tipo: "Não aguento mais a sua nora, que acorda e faz barulhos sapateando com seu salto e derrubando coisas que parecem que o teto cairá sobre a minha cabeça desde as 5:00h da manhã!!". Numa criatividade que daria inveja a Lucifer.
A imagino parada, sentada em sua sala, sem fazer nada, apenas de ouvidos atentos ao menor barulho, como se sua felicidade estivesse em pegar o interfone e discutir um pouco com alguém. Quem nunca viu alguém que discute em qualquer lugar: na padaria, na fila do banco, com a caixa do supermercado?
Num dos últimos bate-boca (aliás nem sei se o termo seria correto, pois as únicas bocas que funcionavam gritando eram a deles...) em nossa porta o marido ameaçou que nós iríamos nos "arrepender profundamente" caso o inferno de barulho não acabasse. Pensei: "será que ele não vê que o inferno fica ali embaixo, em sua própria casa?". Mas seria inútil falar, até porque eles nunca ouvem o que tentamos dizer.
Meus sobrinhos - um de 6 e outra de 4 anos - quando vão em casa para brincar sempre ouvem quando fazem barulho: "cuidado com a mulher de baixo", a versão mais atual do "bicho papão" ou do "homem do saco".
Muita gente tem a sua "vizinha de baixo", que pode ser a de cima, do lado, ou mesmo nem ser vizinha. E me pergunto o que faz essas pessoas viverem seu inferno astral. A histório do inferno está em nós mesmo é real, cabe a nós deixá-lo escondido e inacessível ou vivermos dentro dele.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Prefeitura X Minorias

Quem é da cidade de São Paulo vem acompanhando a alguns meses alguns atos da Prefeitura para tentar melhorar o trânsito caótico da cidade.
Os amigos leitores das cidades do interior do Brasil não devem imaginar o que é um congestionamento daqui.
Perdemos muitas horas por dia nos deslocando de casa para o trabalho. Isso sem exagero mesmo, há trabalhadores que levam de duas a três horas para ir e outras três para voltar, somando-se assustadoras 5 ou 6 horas perdidas por dia, olhando para fora de uma embaçada (mais ainda nesses dias chuvosos) janela do ônibus.
A primeira tentativa para tentar aliviar, ao menos um pouco, o problema foi o rodízio municipal de veículos, que significa não poder usar seu carro no dia que seja marcado para o número final da sua placa - na segunda-feira não circulam os de final 0 ou 1 e assim por diante.
Nesses últimos dias novas atitudes energéticas foram tomadas, mostrando que a prefeitura tem coragem para mexer em vespeiros. Porém dessa vez coragem não está sendo aliada ao bom-senso.
Primeiro os caminhões foram impedidos de circularem durante o dia na cidade. "Ah, ótimo! Aqueles caminhões realmente enchem as ruas e aumentam muito o trânsito" alguém pode dizer. Porém fica mais difícil de se aceitar quando pensamos num trabalhador que tem o seu caminhão como sustento. Uma pessoa que de uma hora para outra - sem direito a negociar - será transformada em um trabalhador noturno. Isso sem mencionar que muitos caminhões que circularam de noite para descarregar suas mercadorias em supermercados tiveram que esperar até o amanhecer, já que a empresa não mudará seu horário de recebimento, e após descarregar o motoristae faz? Volta para casa e toma multa??
A novidade agora é a lei que proibe os ônibus fretados de circularem dentro da cidade. Eu sempre sonhei em ir para o trabalho num ônibus fretado e se houvesse a possibilidade, se trabalhasse em uma empresa que tivesse um não pensaria duas vezes: largaria meu carro em casa e iria no conforto de um ônibus tranquilo, dormindo ou lendo, não me preocupando com o trânsito. Ganharia horas de vida! E muitos fazem isso, pensam da mesma forma. Agora, essas pessoas que eram "abençoadas" antes, na minha opinião, terão que vir de fretado até uma estação e terminar o trajeto de metrô ou ônibus normal. Então, no horário de pico, pegarão uma enorme fila para entrar no vagão. Nem sempre conseguirão entrar no primeiro trem (eu quando usava, muitas vezes não conseguia) e quando conseguirem se espremerão lá dentro, sentindo o que uma sardinha deve sentir quando colocada dentro de sua lata. Ou pegarão um ônibus quase sempre lotado, torcendo para não ir na porta ou escada, quase dependurado. Sentar seria uma utopia, alcançada apenas aos felizardos que conseguem subir no ônibus em seu ponto inicial.
Manifestações estão acontecendo todos os dias para que a nova lei deixe de existir e a queda de braço parece ainda distante de terminar.
Isso tudo mostra um descaso com a minoria, bem do tipo: para melhorar o todo vamos atrapalhar os caminhoneiros ou quem usa ônibus fretado. É prejudicar poucos visando o bem de muitos.
Mas isso está certo? Eu acho que não.
São só atitudes paliativas que tiram um pouco o foco do que realmente a prefeitura deveria fazer: investir maciçamente no transporte público. Podem ter certeza que se houvesse um ônibus decente ou um metrô que ligasse grande parte da cidade aquela pessoa que se estressa no trânsito e gasta dinheiro com gasolina todo dia não pensaria duas vezes em deixar o carro em sua garagem.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A comunicação

Na equipe do Instituto em que viajamos está o Vitor Pinduca, cinegrafista que faz a parte da inclusão digital e oficina de Rádio e TV do projeto.
Antes de chegarmos na próxima cidade - Marari, no Pernambuco - ele comentava com Érik (parceiro de viagem) sobre o trabalho que estava fazendo no mestrado. Era algo como a comunicação verbal. Há muitas comunidades do interior do Brasil onde as notícias chegam por vias diferentes. Não há muito acesso ao jornal e notícias locais chegam às vezes por um comerciante que veio da cidade vizinha, de um caminhoneiro que passou por uma ponte quebrada, essas coisas.
Demoramos para chegar na pequena comunidade, o caminho era difícil e nos perdemos algumas vezes. Perto das 22h paramos em uma praça onde um som tocava alto e um grande número de jovens tomavam seus "drinks" encostados nos carros ou bancos espalhados por ali.
Paramos a caminhonete - toda adesivada, bem colorida e com fotos - e perguntamos a um rapaz onde ficava a comunidade que estávamos procurando.
- O que? Nossa, que carrão bacana! Oceis são da onde? Por um acaso são do caminhão do Gugu, é?? - nos disparou o jovem antes até mesmo de acabar de ouvir nossa pergunta.
Rimos. O Luis, que estava ao volante, resolveu entrar na brincadeira (que para o jovem não era) e disse que sim, estávamos levando o caminhão para o Dequinha, que nos esperava lá.
Rapidamente o rapaz juntou seus amigos em volta do carro e virou a maior festa. Luis disse que era brincadeira, contou quem éramos de verdade e que precisávamos chegar lá rapidamente. Eles, sempre desconfiando que éramos realmente a equipe do Gugu, disseram que nos guiariam de moto até o local. Perfeito para nós que estávamos cansados àquela altura da noite.
Próximo ao nosso destino o caminhão precisou fazer uma volta maior e os rapazes foram embora, visto que demoraríamos mais um pouco. Agradecemos muito e nos despedimos. Rapaziada nota 10.
Depois da espera o caminhão nos alcançou e chegamos à pequena comunidade. Já era tarde e quase todas as casas estavam fechadas. Um silêncio só.
De repente, no escuro que seguia à nossa frente vimos um vulto, um grande vulto, vindo no meio da rua, em nossa direção. Era uma moça, bem gordinha - bem mesmo - e uma amiga, ambas chapadíssimas e enquanto se aproximavam a ouvimos gritando e gesticulando excessivamente.
Naquele clima de interior, quase meia noite, tudo fechado, era algo um tanto bizarro de acreditar, mas a gordinha, gritando, começou a bater as mãos no capô da caminhonete e, ao pararmos, se aproximou da janela do passageiro, onde o Vitor estava sentado. Só ali conseguimos entender o que dizia:
- Vocês são do Gugu!!! Eu sei, eu sei! Cadê ele?? Moço, eu sou a maior fã do Gugu - não duvidávamos disso...- eu preciso ver ele. Cadê? Eu vou com vocês!!
Abriu a porta e com uma mão - sem exagero! - tirou o pobre e surpreso Vitor de dentro do carro, se jogando ali em seguida.
Eu, no banco de trás, não sabia se gargalhava ou se chorava de medo. Mas na dúvida, dei muita risada.
Foi uma bagunça daquelas, nos seguiu até a praça aos gritos, acordando a todos na cidade, subindo na escada que leva ao teto da nossa van, no quadriciclo que a caminhonete puxava. Quase se jogou dentro do carro.
No dia seguinte muitas pessoas da cidade vieram nos pedir desculpas pela inusitada recepção (mal sabendo o quanto nós havíamos nos divertido). E entre os amigos Vitor não acreditava que poderia ter dado um exemplo melhor e mais rápido ao Érik sobre sua tese de mestrado.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Heróis (por Carol Máxima)

No texto de 18 de junho, "O círculo da vida", contei a história de uma professora - e grande amiga - do interior do Maranhão.
A Carol escreveu um comentário tão legal que mereceu ser colocado aqui como texto. Segue abaixo.

Wolber Campos

'dispensa comentários'

Esta história - claramente real , me faz lembrar que Pedro Bial costuma se dirigir aos seus 'Brothers' chamando-os de 'heróis'; toda vez que ouço isso me questiono quanto à banalização deste termo - sim, porque sendo o sistema como é, os queridos e íntimos 'Brothers' do Brasil são nacionalmente reconhecidos tal qual os nomeou Bial: 'heróis'.

Afinal, o que significa ser Herói?

Acredito que Ser Herói não é ter super-poder - mas também está muito longe de ser apenas 'sobrevivente' em um reality show onde se passa o dia entre intrigas, mordomias, nenhuma privacidade e total falta de conteúdo.

Já me disseram que um Herói é aquele que faz o que tem que ser feito quando precisa ser feito. CONCORDEI. Mas logo me questionei: ’Ok, e daí?! Como é isso?!’

Ao longo do tempo consultei meus conceitos e um monte de outras fontes.
Misturei e organizei tudo, e o ‘como’ ficou assim..:

Ser Herói é ser como a protagonista desta história... É ir além das expectativas do mundo ou mesmo das próprias, é doar seu tempo, ombros, braços, talentos, atenção, energia e até mesmo os sonhos a quem quer que necessite - independente de holofotes, prêmios e aprovações.

Seguir um Sonho... O Sonho de ser Alguém para ajudar alguém a também ser Alguém.

Quantos Heróis 'anônimos' existem neste mundo? Quantos homens e mulheres lutaram por este Sonho?
Pessoas 'comuns' que lutaram para adquirir diplomas, títulos, estabilidade, conforto... Simplesmente para então alcançar seus Sonhos reais... Conquistar sorrisos, semear saúde, distribuir esperança, fortalecer a confiança e a auto-confiança!
Pessoas comuns que dedicam todo o seu tempo ou parte dele ao próximo, ensinando-o, tratando seus dentes, curando suas enfermidades, respeitando-o, dando-lhe asas aos sonhos...

Se um BBB for reconhecido como 'herói', o que serão aqueles que dedicam a vida inteira a uma empreitada como a desta professora? O que serão estes médicos, professores, dentistas, contadores de histórias, empresários, artistas, ambientalistas e sonhadores apaixonados que passam parte de suas vidas como voluntários percorrendo aldeias e cidades carentes, maltratadas, devastadas ou simplesmente esquecidas ao redor do mundo?

A evolução é indispensável, mas a inversão de valores trazida por esta ‘onda’ chega a ser insuportável.
Assim, há pontos aos quais me entrego (sim, necessito de energia, tecnologia, inovação) – mas também há os que não tolero - como a banalização de conceitos, termos e princípios.

NÃO, não enxergo outra denominação que não 'Heróis Humanos'.
Humanos por terem sido capazes de sonhar com a possibilidade de fazer outros também sonharem e Heróis por terem sido capazes de perseguir e alcançar estes sonhos - os seus e daqueles que lhes cruzarem o caminho.

Aos 'Heróis Humanos', todo o meu Respeito e Admiração.

Wolber, por favor, aplauda também por mim a entrega deste diploma!

Carol Máxima

sábado, 11 de julho de 2009

O mundo novo

Criança é sempre uma alegria. Ainda me lembro quando recebi a notícia de que meu irmão mais novo havia engravidado a namorada – e o namoro já estava quase acabando. Depois daquele susto, das preocupações, do término do relacionamento, logo meu sobrinho estava correndo pra lá e para cá e já tinha se tornado a alegria da casa.
Hoje ele tem 6 anos e está aprendendo a ler. É gostoso observar a curiosidade com que tenta decifrar as palavras e frases espalhadas por toda a cidade. É um mundo novo que se abre diante dos pequenos e atentos olhos e podemos ver a alegria que as crianças sentem em poder compartilhar as letras conosco.
Daí podemos ver a importância da alfabetização dos adultos. Um analfabeto - mesmo um semi-alfabetizado – vive num mundo estranho, se afogando num “mar” de sinais complicados esparramado sobre tudo o que vê.
Imagino-me vivendo na China, sem fazer idéia do que significam aqueles mandarins curiosos. Uma sensação de impotência para conviver bem num lugar que não é o meu.
Um adulto que aprende a ler suas primeiras letras é algo totalmente emocionante. Uma criança tem um mundo se descortinando à sua frente, porém tudo está se abrindo, várias informações e conhecimentos que se somam de uma vez só. O analfabeto já passou muitos anos num mundo desconhecido, misterioso e, de repente, tudo se abre, se torna claro. Aqueles símbolos outrora estranhos passam a fazer sentido e uma enxurrada de informações pode ser absorvida.
Ler o nome do creme dental, saber o que diz a manchete do jornal, decifrar uma propaganda na parede de uma rua, ler uma placa de trânsito. De repente tudo passa a fazer sentido.
Uma pessoa, depois de adulta, começa enfim a pensar que também faz parte deste mundo.

domingo, 5 de julho de 2009

Motivação

Dia 10 de junho eu operei meu joelho direito. Pra ser mais específico ainda: o ligamento cruzado anterior (LCA). Graças a Deus a recuperação está ótima, semana passada já havia abandonado as muletas e quase não manco...
Chegou a época das sessões de fisioterapia, excelente e necessária para uma boa recuperação mas não vou mentir, dói um pouco, em algumas horas até muito. Mas paradoxalmente é uma dor boa, que você sai das sessões já andando melhor e a cada dia movimentando mais ainda o joelho.
Na sexta-feira, depois de uma tranquila parte de alongamentos e exercícios de fortalecimento muscular chegou a hora tão temida: a de dobrar o joelho. Primeiro a mulher já me disse uma frase que soa estranho e temida para qualquer homem:
- Vai, vira de bruço...
Barriga pra baixo, perna direita (a operada) ligeiramente dobrada pra cima ela começou a movimentá-la e dobrar bem de leve, me pedindo para que eu a relaxasse. De repente a dobrou, fazendo uma grande pressão.
Mas doeu... Do tipo que você aperta os dentes e poderia espremer uma laranja sem descascar facilmente se a tivesse nas mãos. Quando me contraí, segurando o grito pelo único motivo da vergonha das outras pessoas que estavam na sala, ela me disse simplesmente:
- Não, relaxa, vamos lá - disse enquanto aumentava a pressão.
Na hora ainda pensei: "mas como é que alguém consegue relaxar enquanto sente uma dor dessas, criatura?".
Quando ela soltou a perna e eu comecei a dar gargalhadas involuntárias (não sei se pelo prazer de acabar aquela série ou de nervosismo). Ainda me disse uma gracinha, fazendo uma analogia pra eu lembrar dos meus pacientes que sentiam dor.
- Mas pelo menos eu anestesio eles antes de mexer - respondi mais alto do que eu gostaria, mas me lembrando que ainda teriam mais duas séries, ponderação era algo impensável para mim.
Me lembrei daquele filme "O virgem de 40 anos", em uma cena que ele vai depilar o peito e a dor é tão grande que ele, involuntariamente, começa a xingar a depiladora. Perguntei à moça se alguém já a havia xingado depois de alguma série sem querer, só para extravasar. Como ela me respondeu negativamente me concentrei pra não ser a primeira pessoa a passar aquela vergonha.
Quando começou a segunda vez ela - uma ótima profissional e gente boa também - me contou uma pequena história:
- Eu sei que não é fácil. E você ainda imagina um outro paciente que eu tenho que perdeu a perna direita num acidente de moto, a esquerda quebrou em quatro lugares diferentes. Eu tenho que dobrá-la, assim como estou fazendo com você, mas ele ainda não tem a outra para apoio.
Quando ela dobrou essa vez eu não soltei um mínimo gemido e ainda pensei: "pode apertar o quanto puder...".

sexta-feira, 26 de junho de 2009

1 ano!!!

Pois é amigos, hoje este blog completa um ano de existência, mas com um corpinho de 6 meses...
Agradeço a todos que perderam alguns minutos por essas páginas durante este tempo. Espero que estejam se sentindo tão a vontade como eu me sinto escrevendo aqui.
E que venham muitos e muitos outros anos...
Grande abraço!!

Wolber Campos



quinta-feira, 25 de junho de 2009

Apenas mais um domingo de futebol

Aquele seria um dia de fim de semana igual aos demais. Porém, naquele ensolarado domingo, ele estava mais feliz do que o habitual: era dia de jogo. Sempre sentia um friozinho na barriga nesses dias, aquela felicidade que não conseguia explicar.
E como um simples jogo de futebol consegue fazer isso? Porque consegue dissipar preocupações, problemas, o faz se esquecer da dura rotina de office boy, do chato do patrão... Nada mais tinha importância naquele dia, apenas o seu time do coração. E como é democrático, essa mesma empolgação envolve desde o operário ao presidente da empresa (até o da República!).
Vestindo a camisa de seu time, pegou o ônibus e seguiu para o estádio com dois amigos. O Assunto, claro: a grande final.
De repente ouviu alguém, dois bancos a frente, mesma camisa que a sua, xingar violentamente alguém pela janela. Metade do corpo para fora, derramava os palavrões sobre um acanhado carro onde estava duas pessoas com a camisa do time adversário.
Quando outros passageiros uniformisados repetiram o gesto ele não pensou duas vezes: com seus amigos gritou até que sua garganta doesse os maiores impropérios na direção do, agora amedrontado, torcedor adversário.
Ele que sempre teve um ar mais pacato até se surpreendeu com sua atitude, achou graça e sentou novamente com os amigos, comentando entre risos a cara de medo do pobre motorista.
Hora do jogo, alegria, raiva, apreensão, sentimentos vão e vem numa mistura de sensações indiscritível. Tudo culminando com a vitória do seu time. Seria um dia perfeito, não fosse o começo de uma confusão entre as torcidas.
Gritos, tumulto, o alambrado no chão, as duas torcidas agora se degladiavam no gramado. O palco, outrora de um simples jogo de futebol, se tornava um embate entre duas equipes furiosas.
Ele não pensou duas vezes e junto aos seus amigos desceu as arquibancadas para se juntar aos torcedores do seu time que corriam risco diante daqueles horríveis adversários. Mal sabia que na cabeça dos outros que desciam os degraus da torcida adversária se passava o mesmo pensamento.
Fosse algo no Oriente Médio, Faixa de Gaza, onde há uma história de ódio entre povos diferentes, judeus e palestinos, pessoas que aprendem a odiar seus semelhantes de outra pátria desde criança ainda acharíamos uma explicação. Não justa, mas seria uma explicação. Ali lutavam jovens, furiosamente com pedaços de pau, pedras e um ódio mortal, simplesmente porque o outro a sua frente estava usando uma camiseta de outro time. Nada mais nada menos.
E foi assim que outro office boy, que também lutava diariamente por seu salário no fim do mês se aproximou. Outro jovem que, se trabalhasse na mesma repartição, poderia ser facilmente seu amigo. Tinha um enorme pedaço de pau nas mãos, e num momento de distração desferiu-o em sua cabeça.
Dias depois ele faleceu. Sua mãe não entendia, ninguém entendia. Era pra ser apenas mais um domingo de futebol.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Círculo da vida

Se um dia eu fosse buscar um exemplo, se tivesse que achar alguém para admirar, eu caminharia para o sertão do Maranhão. Mas ali, não me contentaria apenas em chegar a uma pequena cidade, adentraria mais, até a zona rural. Ainda assim, não ficaria na área mais povoada, seguiria por uma estradinha de terra, muito bonita, completamente arborizada, que permeando por entre árvores dos dois lados me fizessem observar pequenas plantações de arroz e milho por trás delas.
Esse caminho me levaria a uma simples e bonita casa, em um sítio, onde a luz elétrica ainda não chegou.
Para nós, que viemos de uma cidade grande e estamos cansados de tanta poluição (do ar, sonora, visual...), é um lugar delicioso em que a ausência de energia apenas aumenta sua beleza bucólica. Mas os moradores sonham com seu advento. Tarefas simples se tornam complicadas em seu dia a dia: conservar alimentos, ter uma televisão, estudar à noite...
“Tomamos sempre muito cuidado com a quantidade de comida a ser feita; não pode sobrar nada, senão temos que jogar para as galinhas...” – dizem por ali.
Nessa casa vive uma feliz família, típica do sertão, onde o pai cuida de suas roças e a mãe das tarefas do lar. Apesar de não terem conseguido seguir com os estudos esses exemplares pais fazem questão dos filhos irem à escola e que concluam os seus. Fato que não é tão comum como pensamos.
“O pai de uma professora daqui da escola não queria que ela estudasse, dizia que mulher tinha é que tomar conta da casa. Ela teve que estudar contra a vontade dele, chegando em casa e ainda dando conta de todos os afazeres domésticos.” – conta uma colega.
A primeira filha já está prestes a se formar na faculdade de letras. Sempre estudiosa seguiu com o magistrado e se tornou uma jovem professora, lecionando na escola de seu bairro. É daquelas pessoas que tem um forte senso de justiça e se incomoda com a falta de atitude alheia para melhorar a vida de seus alunos ou da comunidade em que vive.
Hoje nos conta, emocionada, as dificuldades que passou para entrar na faculdade. Depois de trabalhar durante o dia e ajudar nos afazeres de casa acendia uma vela ao lado de sua cama, para poder estudar para o vestibular.
Certa noite sua mãe se emocionou ao ver a filha cansada dormindo, livro aberto sobre o peito, cabeça pendendo para o lado, deixando os cabelos muito próximo à chama da vela que se consumia vagarosamente, iluminando o quarto com sua fraca luz.
Para chegar à escola em que estudou – e que hoje é professora – seguia uma trilha em meio às árvores, onde se atravessa até um pequeno riacho, caminho que seus irmãos usam atualmente.
Cansaço? Nem pensar, a única parte difícil do trajeto é se proteger das mutucas, inseto que tem uma picada muito forte e habita grande parte do trajeto.
“Nada que uns galhos colhidos pelo caminho não ajudem a espantar.” – dizem seus irmãos batendo com os arbustos nas pernas e costas enquanto andam.
A alguns meses de sua formatura sonha em melhorar a vida de seus alunos, de quem cuida com o carinho de uma mãe que quer o melhor para seus filhos. Sabe que as dificuldades pelas quais passou apenas a deixaram mais preparada para isso e com mais vontade de vencer na vida.
E aguardando o grande dia de pegar o diploma continua rodando o ciclo da vida, ensinando “seus” pequenos, sentados nas mesmas cadeiras em que há alguns anos atrás ela mesma aprendia a ler.
E nesse dia nós estaremos lá, ao lado dela.