terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ponto de vista (por João Arantes)

Há cerca de uns dois ou três mêses atrás, recebi um e-mail de uma amiga: neste, ela encaminhava um texto não assinado de um autor que citava uma série de razões para mostrar porque (na opinião dele, é claro) comprar um iPhone seria um “mico”; na introdução do texto, de forma irônica, ele critica aqueles que colam um adesivo em forma de uma maçã (símbolo da Apple) no pára-choque do carro.
Foi aí que me senti estimulado a responder o tal e-mail: já tive um dia um carro com um adesivo de uma maçã colado no para-choque; me senti portanto na obrigação de colocar aqui meu ponto de vista.
Vamos lá: vou começar pelo título do texto: "Por que você não precisa de um iPhone"
Na minha opinião, aqui o autor foi pouco específico em sua colocação; explico: ele começa o texto dizendo que apesar deste aparelho da Apple (ainda mais na nova versão 3G) ser "inovador e revolucionário" (sic), a euforia observada por alguns consumidores ao redor do mundo em obtê-lo não se justifica por nada; até aí, beleza: opinião dele - mas na hora de justificar porque acha isso, ele cita um tal japonês que ficou na fila e foi o primeiro a comprar o aparelho.
Ok, entendi que ele achou o cara ridículo por isso, mas porque? De repente foi por que o centésimo consumidor, que chegou na fila três dias depois do primeiro, e apesar de ter perdido muito menos tempo esperando, comprou o mesmo aparelho apenas três horas depois do japa... Ou seria porque se o nosso protagonista oriental tivesse deixado para comprar dois dias depois do lançamento, provavelmente não teria encontrado fila alguma?
É claro que, de um modo irônico, fiz as perguntas acima para evidenciar que o autor, apesar da intenção (acredito eu), fez um pequena confusão entre "você creditar sua felicidade em consumo compulsivo" e "o fato do coitado querer ter o tal iPhone 3G Mega Plus o mais rápido possível". E se o japonês é tão aficcionado em tecnologia que para ele é importantíssimo ter o telefone "ban ban ban"? Imagino que o cara jamais quis ter sido o primeiro consumidor dessa nova versão, mas apenas quis tê-la assim que ela estivesse no mercado (ao pé da letra).
Achei que ele fosse discorrer sobre um problema crônico de sociedades onde as economias têm se desenvolvido bastante: consumo compulsivo como remédio para estresses, depressões, problemas em casa, no trabalho e etc. Também achei que ele fosse falar sobre valores que começam a se deturpar; onde possuir determinado objeto da marca X ou Y, faz a pessoa melhor ou pior. Onde deixa-se de lado uma vocação, para se trabalhar em outro ramo apenas para aumentar ou manter a capacidade de ter - nome disso menos "eufemizado": "escravo do consumo".
Por outro lado, que atire a primeira pedra quem nunca quis ter algum determinado objeto por desejo! Oras, é natural! É do ser humano! Acho que deva existir aí um ponto de equilíbrio: desde que você, de forma absolutamente ética, esteja disposto a pagar o preço por ele (que aí entenda-se todos os custos além do monetário), maravilha!
Portanto aqui fica uma sugestão de mudança para o título do texto: "Por que você não precisa de um iPhone para ser feliz"
Em relação às 10 razões técnicas que o autor comenta para justificar porque o tal iPhone "não é perfeito" (sic): eu, que apesar de admirar, "manjo bulhufas" de tecnologia. Acho que os argumentos dele devem até estar bem fundamentados sob todos aqueles aspectos.
Mas pensem comigo: quem é que compra esse aparelho por motivos tão objetivos assim? Ele foi projetado para ser desejado, independente do que o faz e do que não o faz tão bom! Tanto é verdade, que apesar de todos os defeitos listados pelo nosso amigo autor, ele é um arrasa-quarteirões por onde quer que ele seja colocado a venda! Aqui, embora ainda estejamos às vésperas da sua venda autorizada, já podemos ver um monte de gente com ele e habilitado!
"E daí que a câmera só tem 2 megapixels? E daí que o "troço"não grava vídeos? E daí que etc (os demais motivos todos)?" Acredito que esse sejam os pensamentos do pessoal consumidor desse aparelho. Essas pessoas que não conseguiram nem esperar sua venda formal aqui no Brasil: vocês acham mesmo que elas estão preocupadas se o Office roda no sistema operacional do iPhone? E olha que só não existe mais gente com esses aparelhos piratas, por que ele tem um preço super inacessível (acredito que seja por volta de R$ 1.500,00); já começa aí uma peneirada forte!
Na minha opinião o iPhone vende p/ caramba por ter inovado mesmo! Por ter saído do óbvio - aliás uma característica do produtos da Apple: quando você acha que já existe um super equipamento, aparecem os caras com outro mais arrebatador! Nas poucas oportunidades que tive de pegar um nas mãos, o achei impressionante.
Por fim, sobre o sujeito que cola um adesivo da maçã no carro: aqui não vou estimar pelos outros; falarei apenas por mim: tive a oportunidade de trabalhar alguns mêses fora alguns anos atrás - lá conheci um "tocador de mp3" chamado iPod, e pouco antes de retornar ao Brasil, adquiri um. Na caixinha vinha um adesivo com duas maçãzinhas que na minha opinião eram bem bacanas - como citei acima, eu, por não conhecer direito o mercado de tecnologia, colei o tal adesivo na época por simplesmente achar que meu carro ficou mais simpático com aquele adorno!
Aqui fica outro ponto que só me dei conta escrevendo esse texto - vejam o que não é uma marca bem pensada, bem bolada! Hoje, no meu carro atual, só não tenho o tal adesivo colado pois tenho mais consciência do que se trata, e não quero sair por aí fazendo propagandas sem causa. Não tivesse, talvez eu já teria colado a segunda maçãzinha! :-)
Bom, é isso aí.
Abs,

João Arantes é engenheiro, tem 31 anos. Tentou "plagear" a foto do meu profile nesta foto que segue abaixo...

Um comentário:

  1. Olá grande João! Tudo bem irmãozinho?
    Que legal te receber por aqui. Concordo plenamente com o texto. Aliás eu sou um fã da Apple e podemos ver o quanto uma empresa é animal quando alguém precisa escrever um "e-mail baciada" pra tentar convencer a humanidade do porquê ela não merece ser tão amada assim...
    Volte sempre!

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