sábado, 11 de outubro de 2014

Gentileza gera gentileza

Fazia tempo que não pegava trânsito. Morando em São Paulo isso é bem raro. 
Num lugar caótico os carros disputavam nariz a nariz seu espaço. Na faixa do lado vi uma seta desejando entrar em minha frente. 
Naquele ligeiro momento em que nossa alma consegue gritar por trás da mordaça da vida real (real?), resolvi deixar espaço para que ele entrasse. 
Ainda pensei: "deve ter achado que eu me distraí no celular...".
Após virar a esquina, em frente ao mar de carros que se apinhavam ante a um farol, vi que tinha que estar à esquerda e que minha faixa era liberada para a direita.
Após o leve palavrão que mentalizamos numa situação como essa, liguei a seta para esquerda e vi que, milagrosamente, um espaço se abriu para que eu entrasse. Era o mesmo carro que eu havia ajudado cem metros atrás.
Tive a impressão que o carro dele sorria quando entrei.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Médicos

Já fazia mais de dois anos que suportava os mesmos problemas. Sabia bem o que era sentir o peso do mundo nas costas. Mesmo que não fosse sobre as suas, essa dor era transferida automaticamente, indo parar bem fundo em seu peito.
Ver uma pessoa, jovem, se tornando cega e se aposentando por invalidez na sua frente, quando diagnosticou a doença lá atrás e era possível se curar com um simples tratamento, gera uma revolta, sensação de impotência, tristeza.
Se tornará em três semanas mais uma médica que abandona o SUS. Não é uma "patricinha" como muitos querem acreditar, nunca teve medo de "meter a cara" nas periferias como políticos dizem, e justamente por não ter um coração de pedra - como muitos também disseram de sua classe - teve que pedir o aviso prévio.
O paciente em questão não era o primeiro, e percebeu há tempos que não seria o último. Em sua cabeça não entendia porque o sistema público de saúde agia assim. Uma pessoa de 38 anos, com diabetes gerando um problema em seus olhos, necessitava de um simples tratamento com laser para estabilizar e preservar sua visão. Nos meses em que aguardava atenderem o pedido do tratamento observava a visão ir diminuindo, diminuindo, diminuindo, até desaparecer definitivamente.
"Mesmo que não quisessem olhar pelo lado humano, você deixar um homem novo, que trabalha e gera impostos para o país, se aposentar cedo e viver do imposto dos outros, já seria motivo!", concluiu.
Mas era o lado humano que gritava ainda mais alto, e esse caso foi um. Quantos pacientes com glaucoma e tantas outras doenças passíveis de tratamento ou cirurgia ficavam presos em meio às engrenagens de um sistema falido, que mutila, invalida e mata tantos brasileiros.
Ainda possui três semanas pela frente. Sai com a tristeza de não ter conseguido vencer esse desafio e com a eterna angústia de saber que embora não receba diretamente sobre seus ombros, esse peso insuportável continuará sufocando a maioria de nossa população. E em saber isso seus ombros ainda doem. Até quando?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A Pedagogia do Horror (por Fernando Martins Rocha*)

 Introdução
Mães que abandonam filhos para que pereçam, traições, mentiras, esquartejamentos e toda a sorte das ações mais vis e abjetas que pode engendrar a mente humana. Não estamos descrevendo um enredo de um filme com um pesado conteúdo imagético e censurado para menores. Este conteúdo é encontrado nos “melhores” contos de fadas que hoje são utilizados como material pedagógico por uma boa parte de nossas escolas infantis.
Diante deste fato, cabe (ou deveria caber) a nós pais e educadores, como responsabilidade, fazermos algumas perguntas e refletirmos acerca deste fato. Talvez a primeira pergunta que coubesse seria: como estórias com cenas tão fortes e com um conteúdo tão pesado foi parar nas prateleiras das escolas de nossos filhos tão pequenos (de 3, 4 ou 5 anos de idade) ? Em seguida, poderíamos (ou deveríamos) perguntar: o conteúdo destas estórias é adequado para a instrução de nossas crianças? Quais os efeitos sobre a mente de nossos filhos quando são expostos a conteúdos deste tipo?
Considerando que a todo efeito corresponde uma causa, este pequeno artigo pretende exatamente verificar quais as causas que levaram os “contos de fadas” (que melhor seriam chamados de contos de horror, pois é o que de fato são) a figurarem como conteúdo pedagógico infantil em nossas escolas. Também refletiremos sobre os possíveis benefícios ou malefícios que estes contos podem causar em nossas crianças.
Contos de fadas ou contos de horror?
Antes, porém, de questionarmos a validade da utilização dos contos de fadas como método pedagógico, é necessário fazer uma pequena digressão. No âmbito dos estudos sobre a linguagem, estuda-se, além de outras coisas, a relação entre a forma e o conteúdo das palavras, sentenças e enunciados. No caso em particular, gostaria de chamar a atenção para uma inadequação. Se olharmos para a forma da expressão “contos de fadas” muito provavelmente a primeira imagem que se formará em nossas mentes será a de uma estória que contém seres encantados como uma fada (personagem feminina, delicada, exígua e com poderes mágicos utilizados para o bem), alguns animais que falam e uma moral ao término da narrativa. Estas ideias e imagens que vem à nossa mente, quase que intuitivamente, são resultado das significações que nos são transmitidas pela forma da expressão “conto de fadas”. Contudo, se voltarmos o nosso olhar, não para a forma da expressão, mas para o seu conteúdo, perceberemos que nada mais falso poderia emergir de nossas mentes do que estas ideias iniciais ou intuitivas que se formam ao ouvirmos a expressão “contos de fadas”.
Em primeiro lugar, os “contos de fadas” não possuem fadas. O que de fato esses contos possuem são bruxas que sequestram crianças (conto de fadas: “Rapunzel”), assassinos esquartejadores de mulheres (conto de fadas: “Barba Azul”), dentre outras imagens de medo e terror. Ao menos uma boa parte deles, ou os mais famosos que figuram em nossa tradição oral, não possuem sequer uma fada. Aquelas imagens quase angelicais, idílicas, delicadas (seres femininos diminutos com varinhas que produzem estrelinhas pelo ar), que vêm à nossa mente, é produto da forma e não do conteúdo dos “contos de fadas”. O que há de concreto e de real nos “contos de fadas” é o oposto de tudo isso. Os “contos de fadas” são na realidade contos de horror. Bruxas malvadas, animais vorazes, trapaças, mentiras, sequestros de crianças, medo e terror, estes são os elementos mais frequentes destas narrativas.
Como se não bastasse, os contos de fadas não param por aí. Os contos também constroem imagens terrivelmente negativas sobre os pais e mães. Nos “contos de fadas” há mães ou madrastas que abandonam os seus filhos em florestas para que eles morram! Belo exemplo! Como se não fosse suficiente transmitir estórias que pregam uma moralidade repugnante e degradante, ainda somos obrigados a submeter os nossos filhos a conteúdos que constroem imagens de pais e mães como sendo figuras cruéis, sórdidas e hediondas. Perguntamos: em que mundo vivemos? É isto mesmo o que devemos ensinar às nossas crianças?
É por estas razões que daqui para adiante utilizaremos a expressão contos de fadas (horror), para que não percamos a perspectiva do verdadeiro conteúdo que reza nestas narrativas.
O contexto histórico dos contos de fadas (horror)
Se fossemos resumir bastante toda a história, poderíamos dizer que os contos, assim como outras espécies de narrativas, são contados desde os tempos imemoriais e começaram quando o ser humano inventou a linguagem. Falando do gênero específico dos contos de fadas (horror), que são hoje utilizados por boa parte da pedagogia infantil, estes tem localização definida no tempo e no espaço. Robert Darnton, especialista em literatura folclórica, nos relata que boa parte dos contos que chegaram até nós foram gerados pela cultura popular francesa do antigo regime, num período que se situa entre os séculos XV e XVIII. Os franceses da idade média inventaram uma instituição, a “Veillée”, que constituía na prática de narração de histórias nas lareiras de suas casas, à noite, quando os homens consertavam suas ferramentas e as mulheres costuravam.
Aqui é importante ressaltar que estes contos, que são classificados pela teoria literária como contos maravilhosos, não possuíam nada de “maravilhoso” ou de “sobrenatural” em suas origens e não provocavam nos camponeses europeus o mesmo efeito de sentido que em nós é produzido. Estas narrativas relatavam a realidade de uma época em que a fome, a peste, a insegurança, o pavor e o terror predominavam na sociedade. A assustadora e amedrontadora personagem da Bruxa, que é capaz de voar e possui uma série de poderes mágicos, era um elemento bastante real na vida dos camponeses europeus dos séculos XV e XVI. A igreja cristã, com a instituição da Inquisição, empreendeu uma “cruzada” contra as “mulheres-bruxas” camponesas deste período, a fim de combater as heresias que ameaçavam sua hegemonia na cristandade. Um número considerável de mulheres foram executadas “em nome de Deus”. Portanto, diferente da leitura que fazemos atualmente destes contos, estas narrativas possuíam um alto grau de realismo para os ouvintes da época em que estes contos foram gestados.
Em 1679, o escritor francês Charles Perrault decidiu registrar estes contos em uma coletânea que denominou de “Os contos da mamãe ganso”. As versões escritas dos contos de Perrault (que posteriormente ganharam um “final feliz” que não existia em suas origens), juntamente com as versões orais dos contos, chegaram à Alemanha através dos franceses huguenotes (protestantes) que fugiam da perseguição religiosa na França de Luís XIV. Por outro lado, os irmãos Grimm, alemães, baseados tanto nas versões orais quanto escritas, também escreveram sua coletânea de contos em 1832. Foram estas as versões (Perrault e Irmãos Grimm), principalmente, que foram registradas nos livros de histórias infantis e chegaram às prateleiras de nossas escolas. Bem, até aqui explicamos de onde vieram as versões dos contos de fadas (horror). Daqui para adiante, discorreremos sobre como essas estórias de horror saíram de uma cultura oral e editorial e foram parar no ensino formal infantil de boa parte de nossas escolas.
A justificativa “teórica” para se ensinar os contos de fadas (horror) para crianças nas escolas
Tudo começa em 1976, quando um psicólogo vienense chamado Bruno Bettelheim ousou escrever “The Use of Enchantments”, um livro em que se defendia, em linhas gerais, a seguinte tese: os “contos de fada”, por conterem uma narrativa com elementos universais que habitam o interior psíquico e emocional do ser humano, como o medo e o abandono, ao serem contados às crianças, expõem-nas à realidade do mundo, disparam nelas uma reflexão sobre os seus dramas e consequentemente, e quase automaticamente, num processo não explicado, fazem com que elas se tornem adultos equilibrados, com seus conflitos interiores resolvidos. Deste modo, a justificativa teórica para sustentar a utilização dos “contos de fadas” na educação infantil, passa, obrigatoriamente, pela “autoridade” da “teoria” de Bettelheim. O trabalho final foi feito pela Academia que, sem questionar ou criticar a autoridade de Bettelheim, endossou sua pretensa teoria e a recomendou como método de ensino nas escolas infantis.
O problema que se coloca diante de nós (pais, educadores e pedagogos) é: qual o fundamento científico deste apanhado de ideias tão abstratas para garantir que nossas crianças não estão sendo expostas a conteúdos nocivos e que talvez tenham impactos negativos em seus futuros? Qual é a garantia que nos dá Bettelheim, que sua teoria não gerará prejuízos no desenvolvimento psíquico de nossas crianças? Resposta: nenhuma! E aqui reside todo o perigo ao expor nossas crianças a este tipo de conteúdo.

O que precisa ser discutido é o seguinte: o método científico exige que algumas perguntas sejam respondidas para satisfazer a condição de cientificidade das teorias. Dentre elas, poderíamos elencar algumas como: Bettelheim isolou o seu objeto de estudo (no caso as crianças) para observar os fenômenos sobre os quais descreve? Em outras palavras, Bettelheim acompanhou o comportamento das crianças de 3, 4 ou 5 anos e depois em sua idade adulta, 30 ou 40 anos, para saber se estas mesmas crianças tiveram seus supostos conflitos interiores resolvidos quando atingiram a maturidade? O número de crianças observadas foi em número suficiente para validar a sua teoria? Como Bettelheim, em seu método, conseguiria provar que os conflitos resolvidos não tiveram causa diferente da narração dos contos de horror? Como garantir que todas as crianças responderão aos estímulos da mesma maneira? É importante frisar que estas e muitas outras perguntas que poderiam ser feitas para questionar a cientificidade das ideias de Bettelheim não possuem nenhuma resposta no livro em que Bettelheim expõe a sua “teoria”.
Nossa suspeita é a de que se uma criança de 3 anos ainda não tem nenhum drama, ou poucos, poderá começar a tê-los após ser exposta ao experimento (ouvir estórias dos contos de horror) de Bettelheim. Diante do exposto até aqui, nos parece que estamos diante de um problema, ou melhor, dois. De um lado, há o problema de uma teoria não comprovada, que não se sustenta do ponto de vista científico. De outro, a exposição de nossas crianças ao procedimento experimental desta teoria não comprovada.
O que talvez seja mais surpreendente de tudo é que Bettelheim, no livro em que expõe sua “teoria” sobre os usos dos contos de fadas (horror) como método pedagógico infantil, em nenhum momento aponte para a possibilidade de estes conteúdos provocarem reações ou interpretações negativas às crianças. É incrível que, em nenhum momento, Bettelheim considere a hipótese de que a exposição sistemática e regular das crianças a um discurso amedrontador, aterrorizante e desmoralizante, em vez de resolver conflitos interiores, possa gerar o medo e perpetuar a insegurança nas crianças. Para Bettelheim, as crianças sempre, incondicionalmente, interpretarão estas narrativas de forma positiva (ainda que esta hipótese contrarie frontalmente as investigações da linguística moderna, que tem demonstrado que a complexidade da linguagem não permite interpretações unívocas e monolíticas dos enunciados).
Se a teoria de Bettelheim tivesse alguma sustentação e considerando que estes contos são narrados (não no ensino formal) há pelo menos 300 anos (desde Perrault e os Irmãos Grimm) para as crianças, então, poderíamos inferir que todas estas gerações (inclusive a nossa), que cresceram ouvindo os contos de fadas (horror), formaram adultos confiantes e bem resolvidos emocionalmente. Perguntamos: isto é uma verdade? A geração de nossos avós, de nossos pais e a nossa própria geração formou adultos confiantes e equilibrados emocionalmente por terem ouvido os contos de fadas? Nada parece mais contrário à razão, para não dizer à ciência.

O estatuto da mãe/madrasta/mulher nos contos de fadas
É importante destacar que a crítica literária que faz Bettelheim, para defender a narrativa dos contos de fadas (horror) como método de educação psíquica das crianças, é uma crítica que atua apenas sob o viés da psicanálise (método criticado intensamente por outras correntes). Deste modo, Bettelheim desconsidera outras linhas de análise como a crítica impressionista, a crítica histórica, sociológica dentre outras. Se analisarmos o estatuto da mulher nos contos de fadas, por exemplo, sob a ótica impressionista, verificaríamos a condição degradante a que a mulher é submetida. No conto João e Maria, conta-se a estória de uma mãe/madrasta que faz uma proposta cruel para o pai: por conta da fome extrema que assolava a família, e para que os pais não tivessem que dividir a escassa comida com as crianças, ela propõe abandonar os dois filhos na floresta para que eles morram. Vale ressaltar que é a mãe que faz esta proposta hedionda e não o pai. O pai ainda resiste inicialmente à proposta por julgá-la muito cruel. Deste modo, se constrói um estereótipo da mãe/madrasta/mulher extremamente negativo. Por outro lado, se analisarmos o estereótipo da Bruxa, que é recorrente nestas narrativas, verificaremos que a imagem que é construída é sempre de uma mulher má e que pratica as maiores atrocidades contra as crianças. Não há um homem bruxo. A personagem má, com poderes sobrenaturais, que se apresenta dominantemente nos contos de fadas, é a imagem de uma mulher. Segundo Maria Tatar, autoridade em estudos sobre literatura infantil, as mães e madrastas que aparecem nos contos de fadas são sempre punidas com maior rigor que os pais. Enfim, são estas e outras sutilezas que passam despercebidas pela análise de Bettelheim. Em nenhum momento, o psicólogo-psicanalista vienense levanta a seguinte hipótese: a construção negativa da imagem da mãe/madrasta/mulher nos contos de fadas (horror) pode eventualmente criar na psique infantil noções negativas sobre suas mães e desenvolver contra elas algum tipo de hostilidade ou rejeição?
Conclusão
Atualmente, boa parte de nossas escolas adota a narrativa dos contos de fadas como “método” de ensino e educação psíquica de nossas crianças. O que este artigo pretendeu demonstrar é que este “método” ou “teoria” não se sustenta sob o ponto de vista científico e que, portanto, é matéria perigosa quando utilizada na pedagogia infantil como se fosse um axioma ou uma verdade inamovível. É perigosa, pois pode gerar o efeito de sentido contrário ao que se propõe: formar crianças com medos, pavores e noções que lhes foram inoculados artificialmente, desestabilizando o seu desenvolvimento emocional.
Outra questão relevante também deve ser considerada. Uma coisa é se contar estas estórias num ambiente não institucionalizado, em que as pessoas são livres para fazer suas escolhas pessoais. Outra é obrigar as crianças a ouvirem estas estórias nas escolas, no ensino formal da educação infantil. Perguntamos: Onde está o direito das crianças de decidirem por não serem submetidas a este procedimento? E mais, onde fica o direito dos pais (que não mais veem sentido em contar estórias amedrontadoras e assustadoras para seus filhos) de optarem por eleger outras opções de literatura infantil que fazem mais sentido para o nosso tempo e contexto históricos?
Que as crianças não saibam ainda produzir todas as sutilezas de raciocínio como as de Bettelheim, é compreensível. Por outro lado, entendemos que é imperativo que nós adultos (pais, educadores e pedagogos) façamos a reflexão, a crítica e utilizemos a razão para saber discernir sobre todas essas absurdidades produzidas pela mente de Bettelheim. Defender os contos de fadas como instrumento de pedagogia da educação infantil é perder o poder de reflexão sobre as referências e os limites que devem nortear o nosso mundo.
É urgente que a Academia, no âmbito da pedagogia, comece a fazer algumas das perguntas que foram feitas neste artigo. Em geral, os trabalhos acadêmicos repetem o mantra de Bettelheim sem a menor atitude crítica. É urgente que a pedagogia dialogue com as ciências da história e da linguística de modo que possa ter instrumentos para contestar os defensores das interpretações monolíticas e pétreas de uma ótica reducionista. Nosso mundo é bem mais complexo e não admite leituras unívocas da realidade.
Seria também importante que a pedagogia se socorresse dos estudos da psicologia e de outras áreas da Ciência para tentar saber se existe alguma correlação entre os pesadelos infantis e as imagens de medo e pavor veiculadas nos contos de fadas.
Na Pedagogia do Horror, o medo, os vícios e terror devem ser ensinados às nossas crianças, contudo, elas não precisam de mais medos e horrores, pois já os há em abundância em nosso mundo. O que nossas crianças precisam é de virtudes. Para que elas cresçam seguras de si, precisamos antes mostrar-lhes que existe um mundo melhor do que o mundo tenebroso dos contos de fadas. Não faz sentido querer formar indivíduos equilibrados e seguros por meio da transmissão de noções de insegurança. Precisamos antes fortalecê-las para que adquiram condições e estrutura para enfrentar as realidades do nosso mundo. E não parece nada razoável utilizar o método de amedrontar para fortalecer.
Se pretendemos formar indivíduos saudáveis, emocionalmente, poderíamos começar transmitindo às nossas crianças segurança, atenção, compreensão, amor, senso de pertencimento, senso de inclusão, enfim, precisamos mostrar a elas que em nós, pais e educadores, existe um porto seguro em torno do qual elas podem construir suas redes de sentidos. Se conseguirmos isto, o que não é pouco, certamente lançaremos as bases para a formação de adultos confiantes e preparados para viver a realidade do mundo que nos cerca.
* O autor é bacharel em Letras pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo (USP) e mestre pelo Departamento de Filologia e Língua Portuguesa da USP.
 
i Pretendessem elas divertir os adultos ou assustar as crianças, como no caso de contos de advertência, como Chapeuzinho Vermelho, as histórias pertenciam a um fundo de cultura popular, que os camponeses foram acumulando através dos séculos, com perdas notavelmente pequenas. (Darnton 2011:31-32)
ii Cf. Tatar (1992:11).
Referências Bibliográficas:
Bettelheim, Bruno. The Uses of Enchantment: The Meaning and Importance of Fairy Tales, 2010.
Darnton, Robert. O Massacre dos gatos e outros episódios da história cultural francesa, 2011.
Tatar, Maria. Off with their heads: Fairy Tales and the culture of childhood. Princeton University Press, 1992.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Música brasileira

Aqui, fazemos um trato: não mais mudaremos nomes e definições das coisas, com a facilidade que se dá apelidos ou se cria uma nova palavra. Aliás, muito mais fácil e honesto seria criar mesmo uma nova palavra para algo novo.
Hoje, nostálgico, coloquei como trilha sonora de meu trabalho músicas da Clara Nunes. Sons de qualidade são assim. Não conhecia quase nada de sua discografia e a primeira vez que ouvi, achei excelente (e olhe que meu estilo predileto é rock!). Uma paciente entrou e quando me preparava para atendê-la, cantarolou a música que ouvia.
- Conhece Clara Nunes, Andrea? – perguntei.
- Nossa, adoro samba! Na realidade o de verdade, o samba raiz. Porque hoje, qualquer pagodinho que tocam na esquina, chamam de samba...  – respondeu com pesar.
Realmente, escutar Clara Nunes, Cartola e Adoniran Barbosa (e nem entramos no quesito “qualidade”) e o gênero chamado samba atualmente é um contraste muito grande. Assim como deveriam ter dado outro nome para designar o som criado no Rio de Janeiro, que nada tem de próximo com o estilo eternizado por James Brown e cantores da Motown nos anos 70.
Concordei por entender e vivenciar isso em outros estilos. Viajamos pelo sertão e lá aprendemos a admirar profundamente Luiz Gonzaga. Ver jovens de hoje, que do Rei do Baião conhecem apenas “Asa Branca”, chamando de forró o que escutam de "Calcinha Preta" ou "Moleka 100 Vergonha" (nada contra as bandas e sim contra a mesma nomenclatura para um estilo completamente diferente do que foi criado) é no mínimo estranho.
Um amigo, profundo admirador da cultura indiana, em suas andanças pela Índia, ao conversar sobre a cultura daquele país com os próprios músicos nativos, observava que estes se espantavam quando discorria sobre a ligação espiritual e história musical do local. “O brasileiro sabe mais sobre nossa história do que nós mesmos!”, falavam.
É parecido com isso o que ouvimos de muitos amigos do sertão, mais novos, quando discorremos sobre Gonzagão, Dominguinhos e seus seguidores.
Trato feito!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Comunidade

Observando uma comunidade de formigas um cientista constatou: assim como as comunidades das abelhas, cupins e outras semelhantes, estes insetos encontraram a forma perfeita de sobrevivência da espécie. 
Nela, cada ser, cada cidadão  presente, é extremamente importante. Tem sua função para a sociedade e doa cada parte de sua energia para o todo, para cada formiga de seu formigueiro, não se importando se é uma de seu convívio próximo ou de uma que nunca irá ter contato em toda sua vida. 
Ela simplesmente sabe que sua sobrevivência depende daquela que nunca conhecerá e que trará o sustento para si mesma e para todas as outras de sua comunidade. 
Mesmo a rainha, que em teoria seria a mais importante de todas, sabe que sua função é tão importante quanto a, que seria, simples operária. Não é mais nem menos. É simplesmente igual. 
Interessante. 
E assim notou, que a morte ou o sofrimento de um membro da sociedade, era tido como um sofrimento de todo o grupo. Seja próximo ou distante, ver um ser semelhante a si sofrendo ou morrendo era uma tristeza enorme a qualquer um do grupo. Pois sabiam que poderia ser ele mesmo padecendo e sentiam como se assim fosse. 
Naquele dia de descoberta o cientista não dormiu. Entendeu o padecimento humano. Quando foi que o homem deixou de se importar com o sofrimento alheio? Quando começou a ver na televisão que outros sofrem com doenças terríveis, fome, miséria, e voltou aos seus afazeres se esquecendo em seguida do que vira?
Pior: quando começou a pensar em seu único benefício desviando tanto que seria destinado ao bem de toda sociedade pra si mesmo, por ganância?
Quando deixou de pensar no bem de todos por pequenos momentos de prazer solitário, ou de pouquíssimas pessoas?
Foi aí que o cientista, em toda sua inteligência, que se achava dono de uma capacidade enorme de entendimento, simplesmente sentou e chorou. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Racismo, Neto e produtores de vinho

Extremamente triste as últimas cenas de racismo ocorridas nos campos de futebol este fim de semana. De positivo apenas trazer à tona este assunto que é escondido em nossas falsas verdades. 
O país da miscigenação, país negro, país mulato, país alegre, país do futebol. E que todas as sujeiras sejam varridas para debaixo das lonas deste último circo. 
Não bastasse o grave problema ainda temos o dos pseudo-comentaristas, que esparramam uma enxurrada de agressões impensadas e passionais que, não só, não resolvem o problema,como correm o risco de gerar outros. 
Na tarde de hoje, no programa "Donos da Bola", da Rede Bandeirantes, o apresentador Neto, revoltado - com razão - contra os criminosos que desferiram palavras racistas contra o Arouca, jogador do Santos, e o juiz de um jogo no Sul, mais precisamente na cidade de Bento Gonçalves, disparou contra uma cidade, escolhendo um povo para Judas, e até uma classe da sociedade da cidade. 
"Vocês aí, de Bento Gonçalves, gostam de produzir vinhos, não é? Olha, se eu fosse negro nunca mais compraria um vinho dessa cidade!", disse em tom agressivo, mais de uma vez. 
Será que o apresentador imagina que os produtores de vinho, empresários da cidade, estavam lá, na arquibancada xingando o juiz? Alguns seres humanos desprezíveis que fazem arruaça e racismo no estádio servem para jogar a culpa em um cidade? Em produtores de vinhos?
Por um acaso ele julgou a torcida do Corínthians quando um torcedor deste time disparou um rojão que matou um garoto colombiano?
Já temos tantos problemas em nosso miserável país, e um deles são as pessoas que os pioram mais ainda. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O país do futebol

Recebi o texto que segue abaixo por e-mail. Uma publicação da conceituada revista francesa de futebol (France Football). Seja ele autêntico em sua integridade ou não, o que importa é a coerente descrição de nosso pobre país. Não pobre no sentido de coitado em receber essas críticas e sim no sentido miserável que sua população vive, embevecida num eterno Circo alheia a não receberem ao menos o Pão que recebia a população da Roma antiga.
Fosse verdade metade das afirmações abaixo (e acredito que na total maioria o são) já seria um motivo de estudo para mudarmos a situação de nossa nação.
Há motivo, apesar de tudo, para otimismo. Países da Europa tem milhares de anos de história de sociedade, e a Itália teve mais de 2000 anos para tentar mudar seu "pão e circo" (se é que o eliminou completamente) e nós temos 500 anos de sociedade. Porém, com os avanços sociais e de comunicação do mundo atual é impensável esperar mais. É necessário mudarmos já nossa postura.
Como o texto cita "a corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo".
Façamos cada um a nossa parte para um país melhor, isso começa com nossos exemplos e com nossos votos.
 
Wolber Campos



O retrato da Copa do Mundo no Brasil. Páginas de uma Revista Francesa (France Football) que resumem o Brasil em todos os sentidos:
 

- Apesar do lema brasileiro: “Ordem e Progresso”, o que menos se vê na preparação deste mundial, é Ordem ou Progresso.

- A FIFA não pediu o Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta.

- A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo.

- A burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os Cartórios.

- Tudo se desenvolve a base de propinas.

- Todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos, e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles.

- Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil, a culpa é da FIFA, antes era dos EUA, já foi de Portugal, o brasileiro não tem culpa de nada.

- O Brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política.

- O Brasileiro elege jogadores de futebol para cargos públicos.

- Romário (ex-Barcelona) é hoje deputado. Aproveita o descontentamento com a Copa para se auto-promover, mas nunca apresentou um projeto de lei sobre saúde ou educação. Sua meta é dar ingresso da Copa para pobre(como se essa fosse a prioridade para um pobre brasileiro)

- O Deputado mais votado do Brasil é um palhaço analfabeto e banguela, que faz uma dança ridícula, com roupas igualmente ridículas, e seu bordão é: “pior que está não fica”. Será?

- Em uma das músicas deste palhaço analfabeto ele diz: “Ele é ladrão mas é meu amigo!”, Isso traduz bem o espírito do Brasileiro. (
http://letras.mus.br/tiririca/176533/ )

- Brasileiros se identificam com analfabetos.

- A carga tributária do Brasil é altíssima maior que a da França, e os serviços públicos são péssimos comparáveis aos do Congo.

- Mas o Brasileiro médio pensa que ele mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a FIFA.

- Há um dito popular que diz que “Deus é brasileiro”.

- A FIFA, como imagem institucional, busca não associar-se a ditaduras. Tanto que excluiu a África do Sul na época do Aparthaid e, ao contrário do COI, recusou a candidatura da China, apesar das ótimas condições que o país oferecia. Mas o Brasil, sede da Copa, vive um caso de amor com ditaduras.

- O Brasil pleiteava uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, para sentar-se ao lado França, mas devido ao seu alinhamento com ditaduras, a França já se manifestou contrariamente.

- A Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isso, melhor que o do Japão, dos EUA, da França, da Alemanha.
http://www.youtube.com/watch?v=urmR5fXMJu8

- Só ela pensa assim, na FIFA se fala em maior erro estratégico da história da Instituição.

CONFRONTOS:

- Ano passado os brasileiros saíram as ruas para manifestar, pela primeira vez se viu um movimento assim num país acostumado a inércia, mas o Governo disse que eles eram baderneiros e reprimiu o movimento com violência. 2 mortos, mais de 2000 feridos, mais de 2000 prisões. Ninguém responsabilizado...

- Há um movimento chamado “Black Blocs” que ameaça revidar a violência do Governo.

- Há um # hastag que já foi repetido mais de 500.000.000 de vezes em redes sociais e ameaça
#naovaitercopa

- Os próprios brasileiros pedem para os estrangeiros não irem para o Brasil. Há milhares de vídeos feitos por brasileiros neste sentido :
http://www.youtube.com/watch?v=0A-mFVEE7Ng

- O governo brasileiro acaba de gastar 400milhões de Euros com compras de armas para a polícia e disse estar disposto a colocar o exército na rua para proteger a Copa contra os…. Brasileiros (???) Isso mesmo, o governo está ameaçando seu próprio povo.

- Há um movimento de alguns jogadores de futebol, liderado pelo ídolo do Lyon (França) Juninho Pernambucano, chamado “Bom Senso”, pedindo conscientização dos jogadores.

- Analisando os países sedes desde 1970, o número de mortes em estádios, nos 16 anos prévios a cada edição da Copa:

México: (1970): 06 mortes;
Alemanha (1974): 00 mortes;
Argentina (1978): 04 mortes;
Espanha (1982): 00 mortes;
México (1986): 12 mortes;
Itália (1990): 00 mortes;
EUA (1994): 00 mortes;
França (1998): 00 mortes;
Japão (2002): 00 mortes;
Coreia do Sul (2002): 00 mortes;
Alemanha: (2006): 00 mortes;
Africa do Sul: (2010): 17 mortes;
Brasil: (2014): 234 mortes;

-
http://www.youtube.com/watch?v=8bn17OLPyOY

OBRAS:

- O Brasil foi o país que teve mais tempo na história de todos os mundiais para prepará-lo: 7 anos, mas o Brasil é o mais atrasado.

- O Francês Jérome Valcke, secretário geral da FIFA criticou o Brasil pelos atrasos. O governo brasileiro disse que não conversaria mais com Jérome Valcke.

- A França teve apenas 3 anos, e finalizou as obras 1 ano e 2 meses antes.

- A África do Sul teve 5 anos, e terminou com 5 meses de antecedência.

- Há pouco mais de 3 meses da Copa, o Brasil ainda tem que fazer 15% do previsto.

- O custo do “Stade de France” foi de 280 milhões de Euros(o mais caro da França), uma vergonha se comparado ao “Olimpiastadium” sede da final da Copa da Alemanha em 2006, que consumiu menos de 140 milhões de Euros.

- Mas perto do Brasil isso não é nada. Cada estádio custa em média mais de 1/2 bilhão de Euros.

- E o dinheiro sai do bolso do Brasileiro. Tudo é financiado com recursos públicos. Na França tudo foi financiado com recursos privados.

- Mas o custo não é alto porque os trabalhadores recebem muito. Os trabalhadores recebem salários de fome.

- As empreiteiras é que ganham muito e há muita corrupção para os políticos.

- Não há segurança para os trabalhadores, acidentes e mortes são comuns. Na França o número de mortes nas construções foi 0(zero)

- Mesmo com os milhões a mais, os Estádios são ruins.

- Em 2007 o Brasil construiu um estádio para o Panamericano do Rio e homenageou quem???? Um diretor da FIFA, um brasileiro, corrupto para variar: João Havelange! No Brasil corruptos recebem homenagens.

- O estádio era tão ruim que não durou nem 6 anos. Isso mesmo, 6 anos….

- Hoje o estádio está interditado e não recebe mais jogos. Detalhe: custou mais de 150 milhões de Euros(mais do que o Estádio do Olympic de Marseille), e hoje serve de ninho para pombos.

- Na França, os Estádios são multi-uso, servem para competições olímpicas, jogos de Rugby, e são centro de lazer, com lojas e restaurantes e estacionamento nos outros dias da semana. No Brasil são usados só para jogos.

- Em Brasília estão construindo um Estádio para 68.000 pessoas, sendo que o time local está na quarta divisão do campeonato brasileiro e tem média de público de 600 pagantes. Tudo com financiamento público.

- Em São Paulo há 2 estádios, Morumbi e Pacaembú, ao invés de reformá-los, construíram um 3o. estádio, Itaquerão, 23km do centro da cidade e sem metrô até lá.

- O ex-presidente Lula, torcedor do Corinthians, empenhou-se pessoalmente para que construíssem este estádio em vez de reformar um dos outros 2 já existentes.

- Exceto seus correligionários, ninguém acredita que Lula foi movido por amor ao “Timão” .

- Lula é amigo íntimo de Marcelo Bahia, Diretor da Odebrecht, vencedora da licitação. Um reforma custaria menos de 100 milhões de Euros, um novo estádio tinha previsão de custo inicial de 300 milhões de Euros (mas já passou de 500 milhões) um dos mais caros da história da humanidade. Lula e Marcelo são constantemente vistos em caríssimos restaurantes de Paris, tomando bons vinhos franceses. Lula, claro, se declara socialista.

- Este estádio é igualmente ruim, alagamento, péssima infraestrutura, e antes mesmo de inaugurar já caiu, matando funcionários. vide:
http://oglobo.globo.com/esportes/video-mostra-momento-do-acidente-no-itaquerao-10911765

TRANSPORTES:

- A atual presidente Dilma Rousseff garantiu que faria um trem-bala, nos moldes do TGV Francês, que ligaria 4 cidades-sede: SP-RJ-BH-Brasilia. A promessa está gravada em redes sociais. (
http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,governo-garante-trem-bala-pronto-ate-a-copa-de-2014,381839,0.htm )

- Em 2009 foram aprovados 13 bilhões de Euros no PAC, uma soma gigantesca de dinheiro, suficiente para construir um TGV de Paris a Cabul no Afeganistão. Nunca se viu um orçamento tão alto.

- Mas o dinheiro desapareceu e nem um único centímetro do TGV brasileiro foi construído.

- Nenhum brasileiro cobra da Dilma a responsabilidade sobre a promessa do trem bala.

- Nenhuma das cidades-sede tem metrô até o Aeroporto.

- O taxis são caríssimos e os taxistas fazem trajetos mais longos com os estrangeiros que não conhecem a cidade.

- Aprenda Português pois os Taxistas não falam nem espanhol, francês não existe. Inglês nem pensar???

- Para os taxistas não há cursos de inglês financiados pelo governo, mas para as prostitutas sim. Parece piada, mas é verdade: ( vide:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/01/1211528-prostitutas-de-bh-tem-aulas-gratis-de-ingles-para-se-preparar-para-a-copa.shtml )

- É assim que o Brasil está se preparando para receber os turistas, ensinando inglês para as prostitutas. Pergunte se há um programa assim para policiais???

- Metrôs não funcionam bem, não cobre nem 10% das cidades ou simplesmente não existem.

- Os ônibus são precários, com muitos atrasos.

- O sistema de ônibus é complicadíssimo e ineficiente.

- Diariamente os ônibus são atacados por gangues que lhes ateiam fogo sob ordem de criminosos ou simplesmente para protestar.

- Às vezes não dá tempo do passageiro sair correndo e morre carbonizado.

- Ninguém é preso, mas as autoridades dizem: “estamos investigando…”

- O aeroporto da Megalópolis São Paulo tem uma capacidade de receber vôos inferior ao Aeroporto da pequena cidade de Orly, no interior da França.

- Os preços de passagens de aviões dispararam. Por um trajeto de 400km chegam a cobrar 1.000Euros durante a copa.

- Como o Brasil não tem infraestrutura, não aproveitará a alta demanda, devendo permitir que empresas aéreas estrangeiras atuem durante a Copa, o lucro virá para a Europa ou os EUA.

- Aluguel de carros é caríssimo, e, como disse um ex-presidente brasileiro, Fernando Collor, também afastado por corrupção, os carros brasileiros são carroças, sem os principais itens de segurança.

- Muito cuidado ao dirigir, o trânsito é uma selvageria. Sinalização, quando existe, é exclusivamente em português.

- Ônibus lotados a toda velocidade, dividem faixas com carroças, mendigos que puxam carros de ferro-velho, motoqueiros cruzando faixas sem sinalizar, pessoas xingando, engarrafamentos de horas. Em São Paulo chega a passar de 300km de engarrafamento, dentro da cidade, o maior da humanidade.

- Faixa de pedestre não serve para nada, não espere que os carros parem. Atropelam, matam e fogem.

- Não tente andar de bicicleta, será atropelado ou roubado.

- As estradas estão caindo aos pedaços, sem sinalização e o número de mortes em acidentes de trânsito em 2008 foi de 57.166, na França, 399, ou seja, quase 15.000% a mais de mortes, e levando em conta que no Brasil não há acidentes por neve ou gelo na pista.

- Apesar do Brasil ser autossuficiente em petróleo e estar do lado de países da OPEP, como Venezuela e Equador, a gasolina uma das mais caras do mundo, e de péssima qualidade, misturada com etanol e solvente de borracha, não há fiscalização nos postos.

- Mas o Brasileiro defende o monopólio do petróleo. É o único país do mundo onde os consumidores acham que o monopólio é bom para o consumidor, e não para o monopolista.

- Não existe transporte fluvial, apesar de ser o país com mais rios no mundo. O Brasil deveria investir em barcos, todo ano as cidades alagam. Vide
http://www.youtube.com/watch?v=aNHnPUcZOFA

- As autoridades dizem que foram pegas de surpresa!

- Não há transporte por trens.

SAÚDE:

- Reze para não ter problemas de saúde enquanto estiver alí.

- Vacina contra febre amarela é recomendada.

- Use repelentes, no Brasil ainda há pessoas morrendo com dengue, malária ou doença de chagas, já erradicadas na França no século XVIII.

- Faça um seguro de saúde privado antes de ir ao Brasil.

- Médicos privados cobram mais de 100Eurs por consultas de 20minutos.

- Os hospitais públicos são péssimos. vide
http://www.youtube.com/watch?v=cE9znkKV--k comparáveis a zonas de guerra.

- Nos últimos 10 anos o número de leitos em hospitais públicos caiu 15%. vide
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/em-11-anos-taxa-de-leitos-hospitalares-caiu-15-no-brasil-o-bravateiro-no-entanto-dava-licoes-a-obama-vinda-de-cubanos-serve-para-demonizar-medicos-brasileiros-e-e-projeto-ideologico-dos-paises-do/

- O Brasil precisa importar médicos de Cuba, já que não tem competência para formar médicos no próprio país. Acredite: Há um programa governamental para isso.

- O Brasil gasta apenas 4% do seu PIB com saúde, e 12% com pagamentos de funcionários públicos. Nos últimos anos o gasto com funcionários cresceu, e com saúde encolheu.

- A França gasta 12% com saúde e 4% com funcionalismo.

- Resultado: Brasil é 72. entre 100 países pesquisados pela OMS, a França 7.

- O craque Zinédine Zidane já era mal visto no Brasil, por ser responsável direto por 2 derrotas humilhantes da “canarinha” em mundiais. Ao saber que o Brasil sediaria a Copa, Zidane afirmou que o Brasil tinha outras prioridades, como a saúde, não os Estádios.

- Ronaldinho Fenômeno rebateu a frase dizendo que “não se faz copa com hospitais”. vide
http://www.youtube.com/watch?v=uRRoXJQf8f0

- A frase de Ronaldinho Fenômeno virou hit no Twitter e record e visualizações no youtube.

- O Pelé pediu para os Brasileiros esquecerem os problemas e curtirem a Copa.

HOSPEDAGEM:

- Paris é a cidade mais visitada do mundo, com quase 20 milhões de turistas / ano. São Paulo é menos visitada que a pequena Benidorm na Espanha, ou que a cinza Varsóvia, na Polônia ou a poluída Chenzen na China.

- São Paulo perde para Buenos Aires, Cuzco e outras cidades Sulamericanas.

- Nem no Brasil é a mais visitada. Ninguém faz turismo em São Paulo.

- Amarga o posto 68 na lista das mais visitadas do mundo.

- No entanto, um hotel em São Paulo custa em média 40% mais do que se hospedar em um equivalente hotel em Paris.

- Na época da Copa, um hotel de baixa qualidade em São Paulo chega a pedir 800Eurs por noite.

- Os brasileiros não tem hábito de intercambiar casas, alugar sofás ou hospedar pessoas por sites em internet.

- Leve adaptador de tomada. O Brasil adotou um sistema que só existe no Brasil, e muda a cada 4 ou 5 anos, gerando milhões para algumas empresas.

TELECOMUNICAÇÕES:

- Minuto de celular mais caro do mundo. vide
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/10/1352956-minuto-do-celular-no-brasil-e-o-mais-caro-do-mundo.shtml

- O sinal é péssimo, um dos piores do mundo.

- 4G não existe na maioria das cidades.

- A internet é horrível e caríssima. Para o Brasil chegar aos níveis do Iraque deveria dobrar o investimento em banda larga. vide
http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/conexao-de-internet-no-brasil-e-mais-lenta-que-no-iraque-e-cazaquistao

SEGURANÇA:

- Se você não gostou do que leu até agora, o pior está aqui.

- No Brasil há mais assassinatos que na Palestina, no Afeganistão, Síria e no Iraque JUNTOS.

- No Brasil há mais assassinatos que em toda a AMÉRICA DO NORTE + EUROPA + JAPÃO + OCEANIA.

- A guerra do Vietnã matou 50.000 pessoas em 7 anos. No Brasil se mata a mesma quantidade em um ano.

- Ano passado foram 50.177 segundo o governo, segundo a ONGs superam 63.000 mortes.

- Todo brasileiro conhece alguém que foi assassinado.

- 1% dos casos resultam em prisão.

- Este 1% não chega a cumprir 1/6 da pena, e é beneficiado por vantagens que se dão aos criminosos.

- As prisões parecem masmorras e não recuperam.

- Rebeliões com dezenas de mortos, pessoas decapitadas, esquartejadas são frequentes.

- Recomenda-se levar uma pequenas quantidade de dinheiro para caso de assaltos. É comum assassinarem as pessoas que nada tem para o assalto.

- Não leve o cartão consigo, você pode ser vítima de uma espécie de sequestro que só tem no Brasil: “Sequestro Relâmpago”.

- Não use relógios, máquinas fotográficas, celulares, pulseiras, brincos, colares, anéis, bolsas caras, bonés caros, óculos caros, tênis caro, etc… vista-se da forma mais simples possível.

- Se for assaltado, não reaja.

- Não ande pelas ruas após as 22hs.

- Caixas eletrônicos não funcionam após as 22h30, devido aos assaltos. Os políticos, no lugar de aumentar a segurança, tiveram a brilhante idéia de proibir o cidadão de bem de tirar dinheiro do caixa.

- Os bancos fecham as 16hs.

- Só faça câmbio em bancos ou casas autorizadas. Existe uma grande quantidade de moeda falsa e estrangeiros são alvo fácil.

- Policiais são monoglotas. Aprenda frases como: “Eu fui assaltado”; “preciso de ajuda”, “estou ferido”, “sou francês, leve-me ao consulado por favor”

- Há falsas blitz para assaltar pessoas.

CONCLUSÃO:

- O que falta no Brasil é educação. Os números são assustadores, mesmo quando comparados com seus vizinhos sulamericanos.

- O Brasil tem uma porcentagem de universitários menor que o Paraguai;

- Apenas 3% dos Brasileiros são bilingues.

- A Argentina tem 5 prêmios Nobel, a Colombia 3, o Chile 3, a Venezuela 1, a Colombia 4, o Brasil??? Zero!

- Entre as 300 melhores Universidades do mundo, não tem nenhuma Universidade Brasileira.

- O país tem 9% de analfabetos;

- No Brasil há 33.000.000 de analfabetos funcionais.

- Ano passado surgiram 300.000 novos analfabetos.

- No ranking da ONU de 2012 o Brasil, que já estava mal colocado, caiu mais 3 posições, e hoje é o número 88 no mundo. (A França é 5.)

- O Brasil fica atrás de Belize, Ilhas Fiji, Tchad, Azerbaijão, Ilhas Maurícios, Uzbequistão, Mongólia, Paraguai, Trinidad e Tobago, Belarus, Tijiquistão, Botswana, São Tomé e Príncipe, Namíbia, Santa Lúcia, Moldavia…. até atrás da Palestina em guerra, o Brasil conseguiu ficar.

- UMA VERGONHA INTERNACIONAL mas o brasileiro está muito feliz de ser pentacampeão de futebol.

Nos corredores da FIFA já se admite que foi o maior erro da história da Instituição eleger o Brasil como sede. O que se fala é que os dirigentes deveriam ter ouvido o grande Estadista Francês Charles de Gaulle, quando disse:

“O Brasil não é um país sério” "

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Caminho certo


Estamos na estrada. Um seminário, proposto para três cidades em que trabalhamos anos atrás (São Raimundo-PI, Balsas-MA e Cabaceiras-PB) nos levou a retornar e rever grandes amigos, educadores e alunos, que conhecemos a 6 anos atrás. 
Hoje veio ao meu encontro, Maurício. Já um jovem de 17 anos, crescido, bem diferente daquele garoto de 11 anos que convivemos, e a maior diferença é o brilho nos olhos. 
Ele era o tipo aluno-problema, capetinha da escola, aquele conhecido paradoxo que professores gostam pelo carisma, mas odeiam pelo comportamento e vivem mandando à diretoria. 
Isso pode ser algo engraçado, ou até um currículo interessante, quando se trata de uma escola particular, ou uma família com posses. Mas num bairro simples, onde a violência estende seus tentáculos sobre a comunidade, é mais do que uma preocupação: pode significar uma triste sina. 
Na escola, desde o primeiro dia de nosso trabalho, via-se que era bagunceiro, mas aos poucos foi se interessando por cada área. Em meu caso ficava ao lado, me acompanhando nos atendimentos odontológicos e correndo para buscar algo que eu precisava. E foi assim com cada parceiro de projeto. 
Acompanhamos seu desenvolvimento nos anos seguintes em que trabalhamos em sua escola. Eliane, diretora naqueles anos, nos disse alguns meses depois: "O Maurício é outro, inacreditável! Hoje até corre pra nos ajudar quando chegamos com muito material ou precisamos de alguma coisa". 
Cresceu, se interessou por música, toca trompete e sax na igreja. Acabamos de relembrar os tempos de "bad boy" na escola e ele revelou:
- Se não fosse o Brasil Solidário eu estaria no crime. Vocês deram pra mim o foco e o exemplo que eu precisava. Hoje encontro muito amigo meu daquela época que são bandidos. Eu pude ter outra escolha de caminho."
Continuou dizendo como as aulas ficaram mais interessantes, que antes eram chatas apenas copiando o que os professores falavam. Hoje são interativas e dinâmicas. 
Geralmente tento evitar escrever sobre pontos positivos de nosso trabalho. Mas o caso de nosso amigo, se sobrepõe a isso. Quantos garotos não estão se aproximando da bifurcação, decidindo, entre os caminhos à frente, entre o bem e o mal? Muitas vezes, a única coisa que precisam é de um exemplo,  de uma escola que lhe dê um foco. Um caminho para seguir. 
Hoje ganhamos o dia: Maurício escolheu, lá atrás, o caminho certo. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Stress

Em toda a natureza, não é diferente com nenhum animal. A sobrevivência é a maior preocupação. Se ave, peixe, leão, macaco, não importa: deve-se acordar com as energias repostas e procurar comida. Só. Algumas outras coisas os distraem; eles convivem, reproduzem-se, protegem-se dos predadores. Mas tudo é secundário.
Apesar de primordial, também é simples; simplesmente sobreviver é o mais básico de todos os sentidos em um ser vivo, e por ser simples, não se torna algo problemático, sendo tão natural e inconsciente como se é respirar ou deglutir.
A origem de todos os problemas do ser humano, foi quando ele esqueceu-se de que também é um animal. Até quando se refere a um outro ser vivo de seu reino, diz "os animais", como se fosse diferente de todos os outros. Desse dia em diante esqueceu-se de ser feliz. Encontrou outras preocupações maiores na vida.
Porém, nem todos. Alguns poucos homens, entre esses bilhões que andam por aí, encontraram a verdadeira razão de estar neste planeta, perceberam que viver é muito mais do que os pseudo sábios ensinam. Viver é muito mais simples, bonito, transcendental, do que as sociedades pregam. Viver é simplesmente acordar, agradecer por estar vivo, enxergar que existe beleza neste mundo, comer para sobreviver. Só isso.
Quem nunca viu como vive feliz um monge budista? Alguém já viu algum de cara feia? Bravo? Com depressão? Não. São todos felizes! Todos eles. E quem nunca viu um executivo de uma grande empresa…
Não estou aqui para falar de gostos, crenças ou estilos. Apenas de fatos. Perguntássemos a qualquer um, qual é o maior desejo do ser humano, quem duvida que a resposta "ser feliz" seria uníssona? Porque independente de crença, seja em Deus, ou no dinheiro, o intuito é a felicidade e quem respondesse diferente tentaria achar outro nome para designar o alvo unânime.
Agora, quem é mais feliz: o monge budista ou o mega-executivo? Se a maioria dos multi milionários não conseguem se definir completamente felizes, será que o dinheiro não trás a felicidade de que desfruta o monge que abdicou do vil metal? E se não, porque um não procura a verdadeira felicidade do outro lado?
O stress, as doenças da cabeça, começaram a aparecer quando ele decidiu que em vez de se preocupar apenas em sobreviver, ele tinha que se preocupar com aquela planilha complicada sobre as importações de produtos, ou com aquela cirurgia de ciso "casca grossa", com aquela prova que definirá o que será na vida ou como os outros olharão para ele. Ele começou a se preocupar como os outros olharão para ele. Isso, redundante assim mesmo.
Não é um mal de todo ser humano. Além dos monges - e alguns poucos sábios neste planeta -, os índios viviam, muito bem, obrigado, antes do cidadão do mundo velho chegar a estas terras e dizer que o jeito que viviam era o correto. "Ah, seus índios bobos, vocês não sabem o que estão perdendo! Deixem dessa mania boba de querer 'apenas' sobreviver. Que coisa monótona todo dia ser igual, não saber o que é sábado domingo ou segunda. Tome essas planilhas e melhore essas plantações de mandioca!".
Stress, a raíz deste mal está muito, mas muito mais atrás do que a maneira em que vivemos. Vem do tempo em que deixamos de ser animais...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rolezinho

Quando os portugueses se aproximaram da Bahia, no descobrimento dessas terras, imaginaram se tratar de uma ilha que se estendia em seu caminho sobre o Atlântico. Ilha de Vera Cruz seria seu nome. Percebendo que se tratava de um lugar enorme, a nomearam Terra de Santa Cruz. Como geralmente ocorre com quem focaliza apenas partes específicas de algo, sem julgar o todo, ao olhar o geral notaram o país continental que se estendia à sua frente, que se chamaria Brasil.
A história de nosso descobrimento explica um pouco o fenômeno que se esparrama às enxurradas em qualquer assunto que se discuta. A moda do "rolezinho" de jovens da periferia de São Paulo nos shoppings da capital, se torna um caso clássico deste efeito. Inúmeras análises vem sendo feita, direita X esquerda, sociologia, luta de classes... Poucos se afastam para enxergar a essência, o mais simples, o óbvio.
Ninguém gosta de inconvenientes. O próprio inconveniente (que geralmente não sabe que é um...) odeia quem invade seu espaço agressivamente, perturbando sua paz. Teóricos podem achar bonito o movimento de uma massa em pró de algo. Mas, espere! O "rolezinho" não era um protesto, não reivindicava nada, não clamava melhoria social. E se fosse, mesmo assim, estaria no lugar errado. Pois o lugar de cobrar melhorias sociais é frente à câmara de deputados, dos políticos, que podem, realmente, promover alguma mudança em nossa cidade.
Mas não foi o que ocorreu. O movimento, simplesmente, cantava letras de um funk, paradoxal por si só, que evocam um consumo exacerbado de marcas caras.
Deixando a Ilha de Vera Cruz e a Terra de Santa Cruz de lado: pouco importa tudo isso! O fato simples é que um número enorme de pessoas se uniram para gritar, "causar" como se diz, perturbando a paz e o trabalho de muitos outros.
Fosse no Ibirapuera, na Praça da Sé, qualquer lugar público de verdade, não existiriam problemas. Me corrijam se eu estiver errado, um Shopping Center paga IPTU, é um empreendimento particular, que aluga seu espaço para comerciantes e cobra por um espaço agradável, com segurança e conforto, a cada um deles. Deveria ter o direito de evitar que pessoas perturbem a paz de todos os outros.
Vi citarem um caso de alunos da FEA (faculdade de administração da USP), de poder aquisitivo maior, e que fizeram algo parecido no Shopping Eldorado e não foram "detidos". Este é um erro nato de nosso país, onde a justiça não é igual para todos. Esse erro sim, deve ser combatido, mas não estimulado a cometermos outros para comprovar que o país é injusto socialmente.
Se há políticos corruptos, que desviam dinheiro, não se pode usar esse exemplo de impunidade e roubar a loja da esquina, como quem diz "o governante faz, eu também posso", e achar um absurdo que lhe prenderam enquanto não prendem o "politicão". Erro é erro e devemos lutar contra sua causa.
O rolezinho está longe de ser algo legal, fosse por jovens da periferia, fosse por jovens de alto poder aquisitivo. Educação é boa em qualquer lugar. E é também o problema central do Brasil, que não é uma ilha.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

São Paulo

Nasci aqui. Apesar de tudo, amo esta cidade. Curioso este "tudo". São muitos os problemas e seriam muitas as soluções, caso vontade política fosse algo natural em nosso país.
"Gostaria de sair daqui, mas não consigo. Não saberia viver no interior" é uma frase comum entre conhecidos. As facilidades de uma megalópole, o teórico salário melhor (que é uma ilusão, visto que o custo de vida é muito maior), acesso cultural, entretenimento, vida noturna e uma infinidade de coisas que nos hipnotizam e dão a impressão de que é impossível sair de São Paulo. E isso leva muitos paulistanos a viver de uma forma nessa roda que gira, gira, gira e faz tudo parecer natural, normal.
Mas não é.
Uma das loucuras que temos, aliás, um dos maiores problemas além da violência, é o trânsito. Incrédulo vejo que pessoas se acostumam a se deslocar, duas, três horas ou mais, para chegar ao trabalho, todo dia! E mais, duas, três ou mais para voltar.
Quando percebi que já havia quase dez anos que eu perdia (sim, do verbo perder, de jogar fora horas que seriam produtivas para algo) em torno de três horas por dia apenas me deslocando entre casa e trabalho, consegui sair da "roda viva" para enxergar: ou mudava para perto do trabalho, ou sairia de São Paulo.
Em pensar que uma hora por dia, sendo usada para estudo, planejamento do trabalho, qualquer coisa, renderia muito. Um novo instrumento que aprendesse, em uma hora por dia, me tornaria habilidoso em um ano. E eu perdia três...
A última insanidade que vi foi contra os pobres sabiás. Paulistanos enlouquecidos reclamam que a bela ave canta muito cedo e atrapalha o sono. São Paulo faz isso conosco, pois se é um ônibus, um caminhão de lixo de madrugada, o trânsito que já grita antes do sol raiar, as pessoas acham normal.
Talvez o passarinho nos lembre que já vivemos em paz com a natureza. De uma época em que o homem não precisaria perder horas preso dentro de um veículo, ao lado de outros milhões como ele, todos presos, preocupados com horários, regras, medos e se esquecendo de viver.

domingo, 20 de outubro de 2013

Clareamento dentário e o mundo atual

O mundo atual apresenta duas coisas perigosas que, como já disse neste blog, não são frutos do capitalismo - antes que me digam isso - mas da deficiência moral do ser humano. Uma delas é a ambição da indústria, outra, a tentativa de "esperteza", também conhecida como malandragem ou lei de Gérson.
Muitos me perguntam no consultório sobre o clareamento dental, com dúvidas e "pé atrás" sobre a eficácia, ou perigo, dessa enxurrada de novos materiais e propagandas que prometem um sorriso mais branco.
O perigo mesmo ocorre quando essa dúvida não existe. Aí, muitos passam a acreditar em qualquer nova promessa, pois os géis clareadores não são considerados medicamentos, onde teriam que passar por um rigoroso teste da Anvisa, mas sim, cosméticos. E o uso passa a ser indiscriminado, havendo o mesmo risco das auto-medicações.
O peróxido de hidrogênio, componente básico dos produtos clareadores, tem a capacidade de potencializar a carcinogênese das mucosas, ou seja, levar ao câncer da mucosa bucal, oro-faríngea ou mesmo do trato gastrointestinal, com seu uso incorreto ou sem acompanhamento.
Para se ter uma idéia, no consultório, o dentista constrói uma barreira de resina para evitar que o gel encoste na gengiva, o que levaria a uma queimadura e, quando indica uma moldeira para uso em casa, acompanha a evolução de aplicação de um gel mais fraco, que fica em contato com o dente durante 4 horas por dia,  por semanas seguidas, examinando possíveis alterações na mucosa e infiltrações nas restaurações pré-existentes.
Comprando o produto em uma farmácia, a pessoa não tem uma noção sobre seu estado de saúde bucal, margens de suas restaurações e o pior: sobre a concentração do peróxido que estará o usando, ingerindo ou tocando sua gengiva.
Índices de institutos de oncologia atestam que a incidência de câncer bucal aumentou consideravelmente em adultos jovens, de 35 anos. Há 10 anos atrás os pacientes afetados tinham, em média, mais de 50 anos. Ainda é cedo para dizer que está associado à crescente procura de clareamento dentário sem controle. Será que é cedo?
O lado mais incrível, e preocupante, desta história toda, é quando isso ainda se junta aos "espertalhões", que em sua "malandragem" acabam prejudicando sua vida e a de muitas outras pessoas. No Facebook, há algum tempo atrás, vi uma postagem de uma pessoa com terceiro grau completo e que acreditou em uma dessas pessoas, que clamava sobre os "maravilhosos poderes da água oxigenada", como fazer bochechos diários para clarear seus dentes. Não imaginando que pode estar induzindo muitas pessoas a ter câncer bucal num futuro breve.
Hoje é fácil encontrar sites que ensinam vários truques para usar peróxidos para o branqueamento dos dentes até com (pasmem!) o produto alvejante de limpeza Vanish.
Cada pessoa é livre para escolher seus caminhos, mas deve, no mínimo, procurar saber mais sobre os riscos que estará impondo sobre sua saúde. E a obrigação de cada profissional da área é alertar sobre esses perigos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Inversos

Viver em São Paulo trás algumas coisas, uma delas é ter uma saudade imensa da natureza. Essa saudade está tão enraizada no homem - o único animal que resolveu fugir dela, construir prédios de concreto, cobrir o solo fértil com asfalto e viver em gigantes gaiolas de concreto - que mesmo alguém que nasceu neste meio, sente uma paz enorme ao fazer um passeio por uma Chapada Diamantina, visitando cachoeiras e vendo paisagens de tirar o fôlego.
Uma das maiores alegrias, foi mudar para uma casa que possui um pequeno quintal, e nele um quadrado de grama, já o suficiente para pisar descalço e lembrar que a natureza ainda existe por aqui.
Ali, resolvemos colocar alguns pequenos potes com alpiste, atraindo alguns amigos alados para essa morada.
Em algumas semanas, eles começaram a nos visitar. Várias espécies vem apreciar o banquete farto durante todo o dia e assim aprendemos a diferenciar os pássaros. Alguns são solitários, outros, como os pardais, nos visitam sempre em casal, e fomos nos apegando, sabendo até qual era macho ou fêmea, mais bravo ou manso.
Em uma viagem à Diamantina, sentei bem cedo para o café da manhã, o dia abria bonito. Um pequeno barulho no chão próximo à porta: um lindo pássaro. O olhei como se fosse um amigo, já que estava com uma ótima ligação com seus parentes paulistas.
Pluft! Outro pousou sobre as costas de uma cadeira e em alguns segundos, o primeiro voou certeiro sobre a mesa do café, dando algumas bicadas em um dos pães que ali ficava. Automaticamente o rapaz do hotel correu com um pano, espantando os dois pássaros, dizendo algo algum tipo de som, como se espantasse moscas.
O fato se repetiu mais umas três vezes, entre sorrisos e pensamentos de como é viver em um lugar com natureza de mais e em outro com natureza de menos...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O único problema

As mais diversas teorias já foram formadas para explicar as mazelas em que vive a sociedade humana. Outras tantas já surgiram para dar a direção ideal para a humanidade seguir adiante e conviver em paz. 
Miséria, fome, doenças, corrupção, violência, guerras, ambição desmedida, já foram jogadas como filhas do capitalismo. 
O socialismo reinou em alguns países e tampouco conseguiu melhorar a história, se mostrando agressivo e limitando a liberdade de seus cidadãos tanto quanto as ditaduras de direita. 
Seja o que for, tudo o que pode melhorar a vida do homem esbarra em um único e simples problema: o ser humano. 
Seja qual for o sistema, a ideologia ou a história de qualquer povo, agisse com respeito ao próximo e pensamento no coletivo, todo lugar seria um paraíso a se viver. 
Um dos grandes males atuais, a desigualdade social, faz o cenário para uma luta de classes, onde muitos pintam ricos ou empresários como o problema. Mas alguém acha que uma pessoa rica paga poucos impostos? Ou um empresário, que consegue fazer sua empresa sobreviver apesar de tanta burocracia ou taxas sufocantes impelidas ao seu negócio, que gera empregos que ajudam milhares de famílias e mais impostos, não cumpre sua parte?
O fato é que esse imposto não volta para o povo na forma de educação, saúde, saneamento básico, como deveria. Fica no bolso de seres humanos corruptos. 
A mesma quantidade de pessoas desonestas há em ricos, ou pobres, capitalistas, socialistas, católicos, evangélicos, ou seja lá os adjetivos usados. 
Pegássemos todo o dinheiro do mundo e dividíssemos igualmente para cada habitante deste planeta, há alguma dúvida que em dois anos teríamos ricos e pobres, do mesmo jeito? 
Isso não é culpa do capitalismo. Há pessoas irresponsáveis, que torrariam o dinheiro sem se preocupar e esperariam dos outros o sustento. 
Já ouvi de amigo, formado e instruído a seguinte frase: "a gente fala dos políticos, mas se estivesse lá, quem não roubaria também?".
Esse egoísmo é o problema. A vontade de melhorar a si mesmo, não se importando com o coletivo, é o que causa todas as mazelas da humanidade. Não melhore este pequeno defeito interior, podemos ter o sistema que for. 
E tudo começará a melhorar quando respondermos a essa pergunta: "não, eu não roubaria também!".

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Médicos, saúde e política

Nosso país, neste momento de transformação, passa por uma delicada situação. A história dos médicos cubanos - ou de qualquer outro país - a serem importados, mostra uma de nossas maiores mazelas: a chaga da má política que temos no Brasil.
O enredo desta história é o seguinte: o governo não retorna os impostos corretamente à população como deveria (na forma de saúde, educação, saneamento e tudo o mais que temos direito), as pessoas reclamam, ele procura algo para desviar o foco e atira outro para a fogueira em seu lugar, neste caso, os médicos.
Dizer que a saúde em frangalhos que temos em nosso país é por causa dos médicos que não querem ir para o interior é exatamente a mesma coisa que dizer que o problema da educação aqui é culpa dos professores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza como ideal a proporção de 1 médico para cada 1000 habitantes. Aqui no Brasil, pasmem, a relação observada é de 1 para cada 622 habitantes. Bom, parece claro que o problema real não é a falta de profissionais. Desse modo, a idéia inicial de construir mais faculdades parece estúpida.
E em relação às cidades de interior que carecem de profissionais? Chegamos então ao problema estrutural. Será que alguém acredita que médicos são tão ricos a ponto de desprezar um salário de 20, 30 mil, ou mais, oferecidos em cidades com um custo de vida baixíssimo, onde poderiam ficar um tempo e guardar uma poupança generosa?
É sabido muitas cidades pequenas não suportam pagar esses salários e, geralmente, no terceiro mês o médico não mais o recebe. Agora, ele deixou sua cidade, família, amigos para ir a uma longínqua cidade e não receber um bom salário.
E ainda se depara com uma situação muito pior: trabalha em lugares sem estrutura alguma, uma fila enorme, muitas vezes com risco de ser agredido, como se fosse sua culpa a demora em atender. Ouvi casos como o de um colega que, atendendo uma emergência, foi surpreendido por uma família de 4 pessoas que caíram da moto (há lugares onde 4 ou cinco pessoas andam na mesma moto) com fraturas múltiplas. Se imagine nesta situação, possuindo apenas um estetoscópio para examinar.
Entre tudo isso, a idéia de injetar mais dois anos na formação do profissional é ainda mais grotesca. A medicina já leva em sua maioria mais de 8 anos de formação (6 de faculdade mais 2 de residência). Fazer um médico sair da faculdade após dez anos de estudo é como uma punição, como se fossem os culpados por toda uma tragédia que temos na saúde pública do Brasil.
Tragédia que foi causada por décadas de desvios de recursos públicos que deveriam ser destinados para a saúde da população e apenas fez encher os bolsos dos verdadeiros culpados. Culpados pela morte de milhões de brasileiros. Culpados por cada um que sofre numa maca de um corredor de hospital público de um grande centro, ou num posto sem recurso do interior. Esses sim, os verdadeiros culpados de um crime imensurável de tão cruel.
Minha consideração a todos os médicos deste país. Que toda esta injustiça não passe de mais um desvaneio de um governo amedrontado que não está sabendo lidar com um povo que está cada dia mais consciente.