Ele é um dos homens mais ricos do mundo. Não, ele não saiu no ranking da revista Forbes. Tampouco trabalha com investimentos ou sabe algo sobre a bolsa de valores.
A riqueza é uma grandeza muito difícil de se mensurar. Comumente é atribuída à quantidade de dinheiro que um indivíduo possui, simples assim. Um dos significados dessa palavra é "abundância" e partindo desse ponto podemos definir um homem rico por outros valores. Nos nossos atuais dias de stress, trânsito, violência, intolerância, um dos pontos mais almejados é a qualidade de vida. Paz, sossego, amor da família, contato com a mais pura natureza, são valores enormes que qualquer homem sonha alcançar e, na maioria dos casos, ter muito dinheiro não ajuda a comprar isso. Pedro (não é o pedrinho das histórias anteriores) mora em Carolina-MA, uma cidade conhecida por suas lindas cachoeiras. São várias para se conhecer; completamente estruturadas, com lanchonetes e cobrança na entrada ou mais escondidas e pouco visitadas.
Sua casa é simples, de madeira, bem aberta, sempre recebendo o clima agradável da região em seu inteiror. Redes presas nas paredes ou nos pilares embalam suavemente o sono tranquilo de sua família. O quintal - local onde montamos um cinema na noite anterior, sob um céu estrelado - da casa não segue muito longe, pois alguns metros depois, acaba em uma enorme e linda cachoeira.
O pouco tempo em que tivemos o prazer de nos hospedarmos em sua "humilde" (e aqui, as aspas podem ser entendidas da maneira que o leitor preferir, uns podem achá-la humilde mesmo, outros podem achar a casa dos seus sonhos...) residência, ouvíamos o tempo todo o delicioso som, constante, da queda d´água.
Me lembrei daqueles objetos que colocamos em nossas casas que derramam uma água constante para dar um "ar de paz" ao local. Pedro tem uma cachoeira dos sonhos, enorme, em seu quintal que dá um "barulhinho" eterno, real e puro para sua família. Não é para qualquer um. Mas para ele é fácil: é um dos homens mais ricos do mundo mesmo.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Experiências (por Carlos Fonseca)
Estou numa enrascada, preciso expor-lhes nas próximas frases uma sensação. Diria na verdade um sentimento, um estado d´alma. É interessante essa natural dificuldade de transpor em palavras determinados acontecimentos, acho, pois que esta deve ser a razão de cada um ser detentor de suas próprias experiências, ou seja, por mais que uma pessoa tente ensinar ou mostrar uma experiência que teve, somente sente a boa sensação de lembrança, aquela nostalgia solitária e distante, quem viveu.
A experiência é sempre única, e diferente até mesmo para duas pessoas que viveram um mesmo acontecimento, mesmo porque, o importante é a maneira com a qual cada indivíduo interpreta as situações e a relação que mantém com outras experiências já vividas. Portanto, se julgamos únicas as experiências, não podemos mensurar qual delas é mais importante, ou maior, ou mesmo entre duas pessoas da mesma idade, qual delas possui maior experiência, ou experiências “mais importantes”.
Pois bem, vivi no final de 2009 uma experiência única, daquelas que quando paramos para avaliar, mal sabemos mensurar os momentos mais marcantes.
As relações que os seres humanos mantém entre si, independente da classe social ou região do mundo, são fantásticas! E é exatamente nesses momentos, longe de casa, que percebemos a grandeza e a riqueza que um singelo país pode ter. Pessoas que seguem um cotidiano completamente diferente do conturbado mundo paulistano, e que desfrutam, dentre outras coisas, de ar limpo, céu azul ou estrelado, terra produtiva avermelhada, água cristalina e pura; fauna e flora rica e natural. Mal sabem o significado de palavras como trânsito, poluição, assalto... Enfim, vivem vidas dedicadas à família e à agricultura de subsistência.
Mas não sejamos superficiais e generalistas, pois assim como toda região povoada, temos também aqueles que gozam de uma vida um tanto menos simples. Filhos de fazendeiros, empresários, comerciantes... Jovens, a grande massa da população economicamente ativa, que buscam em cidades vizinhas talvez a única grande vantagem paulistana, a formação profissional. Eu, como observador e espectador, fico fascinado em ver tamanha semelhança e ao mesmo tempo tamanha diferença para com a juventude paulista.
Todas as afirmações e questionamentos assim como a reflexão de cada acontecimento recebem seu devido valor num dado momento; em que entramos no ônibus retornando a São Paulo. Daí sim, presenciamos um confronto de sentimentos. São muitas informações transferidas num dia-a-dia alucinante, e finalizadas com uma simples despedida, um adeus que compacta tudo que foi apreendido e nos permite, individualmente, terminar estes dez dias com uma experiência única!
Carlos Fonseca é dentista, 26 anos, e faz parte do Projeto Bandeira Científica, da Universidade de São Paulo. A experiência acima, foi em sua última Expedição, em Ivinhema-MS (12 a 22/12/2009)
A experiência é sempre única, e diferente até mesmo para duas pessoas que viveram um mesmo acontecimento, mesmo porque, o importante é a maneira com a qual cada indivíduo interpreta as situações e a relação que mantém com outras experiências já vividas. Portanto, se julgamos únicas as experiências, não podemos mensurar qual delas é mais importante, ou maior, ou mesmo entre duas pessoas da mesma idade, qual delas possui maior experiência, ou experiências “mais importantes”.
Pois bem, vivi no final de 2009 uma experiência única, daquelas que quando paramos para avaliar, mal sabemos mensurar os momentos mais marcantes.
As relações que os seres humanos mantém entre si, independente da classe social ou região do mundo, são fantásticas! E é exatamente nesses momentos, longe de casa, que percebemos a grandeza e a riqueza que um singelo país pode ter. Pessoas que seguem um cotidiano completamente diferente do conturbado mundo paulistano, e que desfrutam, dentre outras coisas, de ar limpo, céu azul ou estrelado, terra produtiva avermelhada, água cristalina e pura; fauna e flora rica e natural. Mal sabem o significado de palavras como trânsito, poluição, assalto... Enfim, vivem vidas dedicadas à família e à agricultura de subsistência.
Mas não sejamos superficiais e generalistas, pois assim como toda região povoada, temos também aqueles que gozam de uma vida um tanto menos simples. Filhos de fazendeiros, empresários, comerciantes... Jovens, a grande massa da população economicamente ativa, que buscam em cidades vizinhas talvez a única grande vantagem paulistana, a formação profissional. Eu, como observador e espectador, fico fascinado em ver tamanha semelhança e ao mesmo tempo tamanha diferença para com a juventude paulista.
Todas as afirmações e questionamentos assim como a reflexão de cada acontecimento recebem seu devido valor num dado momento; em que entramos no ônibus retornando a São Paulo. Daí sim, presenciamos um confronto de sentimentos. São muitas informações transferidas num dia-a-dia alucinante, e finalizadas com uma simples despedida, um adeus que compacta tudo que foi apreendido e nos permite, individualmente, terminar estes dez dias com uma experiência única!
Carlos Fonseca é dentista, 26 anos, e faz parte do Projeto Bandeira Científica, da Universidade de São Paulo. A experiência acima, foi em sua última Expedição, em Ivinhema-MS (12 a 22/12/2009)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Dona Heloísa
Era uma senhora alta, magra, de seus 60 anos, com a força da mulher sertaneja e um sorriso sempre presente no rosto. Acompanhava a netinha, que seria atendida por mim, e como é extremamente simpática, a conversa fluiu facilmente.
A encontrei no final da tarde, na frente da escola, onde me agradeceu pelo atendimento ao seu pequeno tesouro: a neta. Continuamos a conversa, disse que hoje está aposentada e o pouco que ganha cuida da casa e da pequenina "com todo o amor do mundo".
Fiquei surpreso ao conhecer sua história. Foi professora, mas abandonou a carreira para seguir uma nova, que dava mais dinheiro: cafetina de um cabaré.
- Não acredito, Dona Heloísa. Sério? - perguntei.
- É, meu filho. Mas eu não fazia programa não, que eu não sou desavergonhada. Eu tomava conta das meninas, como uma mãe e cedia a minha casa. - contou.
E me disse como é o funcionamento de um cabaré no sertão do Brasil, algo que eu não imaginava, nem de longe, como seria.
A imagem que se tem de uma dessas casas é de uma dona que colocava as meninas para trabalhar em troca de lugar para dormir e ficava com o dinheiro do programa, dando a elas uma porcentagem do ganho.
Segundo Dona heloísa o esquema é bem diferente. Me explicou contando sua história.
Quando seus pais morreram, deixaram uma grande e espaçosa casa que ela reformou e decidiu transformar num cabaré. Ficou um lugar lindo, "uma casa bonita e espaçosa, com uma piscina grande no jardim bem cuidado", em suas palavras. Nesse grande espaço faziam até churrascos durante o dia, clientes nadavam na piscina e festas às luzes das estrelas.
- Construí vários quartinhos de dormitório, porque, você sabe, as meninas vem de longe. Não se pode ter menina da cidade numa casa dessas, dá problema. Que homem vai pular a cerca arriscando alguém da cidade contar pra todo mundo? Ligava para uma agência na capital que me mandava as meninas.
"Elas não podiam conhecer, nem fazer amizade com ninguém da cidade. Tinham uma "lei do segredo".
Fiquei surpreso! Não imaginava que havia algo tão bem organizado para esse meio. E imaginei, com tristeza, a semelhança de importar meninas como se fossem um produto.
Disse que a maioria das "raparigas" vinham da capital ou de alguma cidade grande que ficasse mais próxima de lá.
- Fiz um alojamento bem arrumadinho pra elas, assim como eram os quartos para o programa. Tudo limpinho e cheiroso, nem os hotéis daqui eram tão bem cuidadinhos!
Mas tinha também seus problemas. Grande parte das meninas "gostavam por demais de uma bebidinha" e acabavam se afundando mais e mais no vício. O único ponto positivo disso é que o bar vendia muito bem, já que os clientes pagavam muitos "drinks" para elas.
- E eram meninas bonitas, meu filho, do tipo que se você conhessece num bar, cairia feito um patinho, acharia que era a princesinha mais santa do mundo. Tinha muito frequentador que namorava com elas. Namoravam mesmo. Se uma estivesse se engraçando, tentando conquistar outro freguês, assim que chegasse "o seu" ela levantava do colo do outro num pulo e ia até lá, dar atenção especial ao "seu home".
"Quase todas saem de suas casas dizendo que vão para faculdade no interior - geralmente enfermagem - e pode ter certeza: a maioria dos pais acredita! Mesmo as pessoas, amigos, parentes... Todo mundo acha que estão fazendo faculdade em outra cidade."
Comentou que ficam por um tempo e vão embora, combinam de voltar duas, ou três vezes por ano. Muitas vezes chegam para conseguir um dinheiro rápido, quitar dívidas, não tendo a intenção de se tornarem raparigas para o resto da vida.
Concluiu, dizendo que todo o dinheiro que as meninas ganhavam eram delas. Ela dava abrigo, comida e toda estrutura da casa. Ganhava dinheiro apenas com as bebidas e o aluguel dos quartos, pago pelos fregueses.
- E dava um bom dinheiro, Dona Heloísa? - perguntei.
Ela riu.
- Ganhava melhor do que quando eu era professora...
E continuou contando histórias sobre o lugar, brigas das meninas, ciúmes, figurões da cidade...
Ríamos. Era uma senhora, sobretudo, feliz. E mais uma vez eu aprendia uma coisa nova por essas pequenas cidades do sertão
A encontrei no final da tarde, na frente da escola, onde me agradeceu pelo atendimento ao seu pequeno tesouro: a neta. Continuamos a conversa, disse que hoje está aposentada e o pouco que ganha cuida da casa e da pequenina "com todo o amor do mundo".
Fiquei surpreso ao conhecer sua história. Foi professora, mas abandonou a carreira para seguir uma nova, que dava mais dinheiro: cafetina de um cabaré.
- Não acredito, Dona Heloísa. Sério? - perguntei.
- É, meu filho. Mas eu não fazia programa não, que eu não sou desavergonhada. Eu tomava conta das meninas, como uma mãe e cedia a minha casa. - contou.
E me disse como é o funcionamento de um cabaré no sertão do Brasil, algo que eu não imaginava, nem de longe, como seria.
A imagem que se tem de uma dessas casas é de uma dona que colocava as meninas para trabalhar em troca de lugar para dormir e ficava com o dinheiro do programa, dando a elas uma porcentagem do ganho.
Segundo Dona heloísa o esquema é bem diferente. Me explicou contando sua história.
Quando seus pais morreram, deixaram uma grande e espaçosa casa que ela reformou e decidiu transformar num cabaré. Ficou um lugar lindo, "uma casa bonita e espaçosa, com uma piscina grande no jardim bem cuidado", em suas palavras. Nesse grande espaço faziam até churrascos durante o dia, clientes nadavam na piscina e festas às luzes das estrelas.
- Construí vários quartinhos de dormitório, porque, você sabe, as meninas vem de longe. Não se pode ter menina da cidade numa casa dessas, dá problema. Que homem vai pular a cerca arriscando alguém da cidade contar pra todo mundo? Ligava para uma agência na capital que me mandava as meninas.
"Elas não podiam conhecer, nem fazer amizade com ninguém da cidade. Tinham uma "lei do segredo".
Fiquei surpreso! Não imaginava que havia algo tão bem organizado para esse meio. E imaginei, com tristeza, a semelhança de importar meninas como se fossem um produto.
Disse que a maioria das "raparigas" vinham da capital ou de alguma cidade grande que ficasse mais próxima de lá.
- Fiz um alojamento bem arrumadinho pra elas, assim como eram os quartos para o programa. Tudo limpinho e cheiroso, nem os hotéis daqui eram tão bem cuidadinhos!
Mas tinha também seus problemas. Grande parte das meninas "gostavam por demais de uma bebidinha" e acabavam se afundando mais e mais no vício. O único ponto positivo disso é que o bar vendia muito bem, já que os clientes pagavam muitos "drinks" para elas.
- E eram meninas bonitas, meu filho, do tipo que se você conhessece num bar, cairia feito um patinho, acharia que era a princesinha mais santa do mundo. Tinha muito frequentador que namorava com elas. Namoravam mesmo. Se uma estivesse se engraçando, tentando conquistar outro freguês, assim que chegasse "o seu" ela levantava do colo do outro num pulo e ia até lá, dar atenção especial ao "seu home".
"Quase todas saem de suas casas dizendo que vão para faculdade no interior - geralmente enfermagem - e pode ter certeza: a maioria dos pais acredita! Mesmo as pessoas, amigos, parentes... Todo mundo acha que estão fazendo faculdade em outra cidade."
Comentou que ficam por um tempo e vão embora, combinam de voltar duas, ou três vezes por ano. Muitas vezes chegam para conseguir um dinheiro rápido, quitar dívidas, não tendo a intenção de se tornarem raparigas para o resto da vida.
Concluiu, dizendo que todo o dinheiro que as meninas ganhavam eram delas. Ela dava abrigo, comida e toda estrutura da casa. Ganhava dinheiro apenas com as bebidas e o aluguel dos quartos, pago pelos fregueses.
- E dava um bom dinheiro, Dona Heloísa? - perguntei.
Ela riu.
- Ganhava melhor do que quando eu era professora...
E continuou contando histórias sobre o lugar, brigas das meninas, ciúmes, figurões da cidade...
Ríamos. Era uma senhora, sobretudo, feliz. E mais uma vez eu aprendia uma coisa nova por essas pequenas cidades do sertão
sábado, 9 de janeiro de 2010
Pedrinho
No interior da Paraíba, há uma cidade que anos atrás era conhecida pelo grande números de cobras cascavel que viviam ao seu redor. Havia muito mato entre as casas e os moradores estavam sempre atentos a qualquer sinal dos perigosos bichos.
Pedrinho morava em uma dessas casas, tinha 11 anos e um de seus passatempos preferidos era caçar pacas. Mas, naquela manhã, sua mãe não deixou que ele saísse para o mato.
Curioso o "instinto materno"...
Ele, no entanto, resolveu caçar assim mesmo, deu uma desculpa à mãe, pegou sua espingarda de chumbo, seu cachorro e para lá se dirigiu.
Se embrenhou mato adentro, chegou em meio às árvores e logo viu sua presa: uma pequenina paca. Se aproximou vagarosamente, mas seu cachorro não teve a mesma paciência, saiu correndo e latindo em direção ao animal, que fugiu em disparada.
"Pega ela!", gritava o garoto contente para o seu cão. Por mais que corresse - e Pedro corre muito! - não era fácil alcançar os dois animais, logo, os perdeu de vista. Seguiu na direção e passou a ouvir o rosnado de seu amigo. "Agora ele já deve ter pego a bicha!", pensou satisfeito.
Acelerando o passo viu seu cachorro rosnando, pêlos eriçados, olhando fixo para o buraco no tronco de uma árvore, junto ao chão.
"A safada se escondeu ali dentro, é mais fácil ainda", pensou se encaminhando tranquilamente para a velha árvore.
- Se fosse meu pai, que conhecia cada reação do cachorro, ele saberia que não era a paca que estava ali. Fosse ela, ele estaria latindo e apontando. Aquele rosnado, os pêlos arrepiados, tudo mostrava que ele estava de guarda, mas com medo... - relembra Pedro.
Com a certeza de que havia vencido a "luta" contra o animalzinho, se ajoelhou e enfiou a mão direita dentro da cavidade no tronco.
"Vapt!", sentiu uma enorme pontada, muito dolorida, e num reflexo tirou a mão dali de dentro. Se espantou ao ver o tamanho da cascavel que saiu, dependurada nela! Gritou mais de susto ao ver o bicho do que de dor e, ao chacoalhar a mão, a cobra o soltou, se arrastando no chão. Para onde, Pedrinho nem viu, pois saiu correndo em disparada.
Chorava, não - ainda - de medo do que poderia acontecer, ou de dor, mas em pensar como explicaria para a mãe que levou uma picada de uma cobra venenosa por desobedecê-la.
"Não posso contar", pensou. Parou antes de chegar em casa, chupou várias vezes a região da ferida e cuspiu, tentando remover o veneno. Escondendo a mão entrou em casa e enrolou um pano em volta, dizendo que havia machucado na lida com a roça.
- Rapaz, minha mão ficou enorme, escura, fiquei morrendo de medo, mas não contei nada. Jurei pra Deus, que se eu sobrevivesse, só contaria quando eu fizesse 18 anos. - lembra.
Pedro fez 18 anos e, no dia do seu aniversário, contou à mãe. Ela caiu em prantos. Chorava, pois lembrava da mão inchada do filho e sentimentos contraditórios a envolviam, como um medo pelo que poderia ter acontecido, um medo póstumo e alívio ao mesmo tempo.
Pedrinho sobreviveu, fez 18, virou motorista, hoje passou os 50 anos e guia o caminhão ou o carro do Instituto pelo sertão afora. A mão direita, que segura o volante, exibe ainda hoje a cicatriz da picada da cascavel. Lembrança de suas aventuras de criança.
Pedrinho morava em uma dessas casas, tinha 11 anos e um de seus passatempos preferidos era caçar pacas. Mas, naquela manhã, sua mãe não deixou que ele saísse para o mato.
Curioso o "instinto materno"...
Ele, no entanto, resolveu caçar assim mesmo, deu uma desculpa à mãe, pegou sua espingarda de chumbo, seu cachorro e para lá se dirigiu.
Se embrenhou mato adentro, chegou em meio às árvores e logo viu sua presa: uma pequenina paca. Se aproximou vagarosamente, mas seu cachorro não teve a mesma paciência, saiu correndo e latindo em direção ao animal, que fugiu em disparada.
"Pega ela!", gritava o garoto contente para o seu cão. Por mais que corresse - e Pedro corre muito! - não era fácil alcançar os dois animais, logo, os perdeu de vista. Seguiu na direção e passou a ouvir o rosnado de seu amigo. "Agora ele já deve ter pego a bicha!", pensou satisfeito.
Acelerando o passo viu seu cachorro rosnando, pêlos eriçados, olhando fixo para o buraco no tronco de uma árvore, junto ao chão.
"A safada se escondeu ali dentro, é mais fácil ainda", pensou se encaminhando tranquilamente para a velha árvore.
- Se fosse meu pai, que conhecia cada reação do cachorro, ele saberia que não era a paca que estava ali. Fosse ela, ele estaria latindo e apontando. Aquele rosnado, os pêlos arrepiados, tudo mostrava que ele estava de guarda, mas com medo... - relembra Pedro.
Com a certeza de que havia vencido a "luta" contra o animalzinho, se ajoelhou e enfiou a mão direita dentro da cavidade no tronco.
"Vapt!", sentiu uma enorme pontada, muito dolorida, e num reflexo tirou a mão dali de dentro. Se espantou ao ver o tamanho da cascavel que saiu, dependurada nela! Gritou mais de susto ao ver o bicho do que de dor e, ao chacoalhar a mão, a cobra o soltou, se arrastando no chão. Para onde, Pedrinho nem viu, pois saiu correndo em disparada.
Chorava, não - ainda - de medo do que poderia acontecer, ou de dor, mas em pensar como explicaria para a mãe que levou uma picada de uma cobra venenosa por desobedecê-la.
"Não posso contar", pensou. Parou antes de chegar em casa, chupou várias vezes a região da ferida e cuspiu, tentando remover o veneno. Escondendo a mão entrou em casa e enrolou um pano em volta, dizendo que havia machucado na lida com a roça.
- Rapaz, minha mão ficou enorme, escura, fiquei morrendo de medo, mas não contei nada. Jurei pra Deus, que se eu sobrevivesse, só contaria quando eu fizesse 18 anos. - lembra.
Pedro fez 18 anos e, no dia do seu aniversário, contou à mãe. Ela caiu em prantos. Chorava, pois lembrava da mão inchada do filho e sentimentos contraditórios a envolviam, como um medo pelo que poderia ter acontecido, um medo póstumo e alívio ao mesmo tempo.
Pedrinho sobreviveu, fez 18, virou motorista, hoje passou os 50 anos e guia o caminhão ou o carro do Instituto pelo sertão afora. A mão direita, que segura o volante, exibe ainda hoje a cicatriz da picada da cascavel. Lembrança de suas aventuras de criança.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Depois da tragédia...
Já estive em Ilha Grande, em Angra dos Reis, onde ocorreram os desastres na virada deste ano. É difícil acreditar que tudo aquilo tenha ocorrido em um lugar tão bonito. Normalmente colocamos em nossas cabeças que lugares lindos assim são paraísos e esse "status" já o coloca próximo a Deus, bem protegido.
Mas, infelizmente, ocorreu essa enorme tragédia, acabando com casas, paisagens, com vidas. E como sempre se segue após esses lamentáveis acontecimentos, começam na mídia a exposição de imagens e notícias, depoimentos, tristezas.
Não recrimino que transmitam operações de resgate, histórias de salvamentos e consequências. Mesmo os fatos tristes, números, são importantes para informar a população. Todos queremos saber e torcer para algum desfecho feliz, por menor que seja.
O que não suporto mais, é a atitude vil de alguns repórteres, que não medem esforços para conseguir sua matéria. Se estão sob ordens ou não, não interessa.
Dias depois do acidente, acompanhei uma reportagem sobre o assunto na TV e vi uma senhora, velhinha, chorando, cabeça baixa, mão direita na testa e um microfone abaixo dos seus olhos.
- Quem a senhora perdeu? - perguntou o repórter, com uma voz forçando um tom triste.
Tudo, para a triste senhora dizer, soluçando, alguns entes queridos que haviam morrido no desabamento.
Meu Deus! Quem precisa saber disso? Como estaremos ajudando aquela mãe com perguntas, ou transportando para o Brasil inteiro sua dor?
Vendo isso, me dei conta, que em minha vida inteira observei esse fato: depois das tragédias vem alguns - eu disse alguns, não generalizo! - repórteres, como urubus, procurando tirar seu sustento da morte e sofrimento alheio.
Prefiro acreditar que essas entrevistas forçadas - e dolorosas - não vendem jornais ou aumentem a audiência. Que essa morbidez um dia acabará, porque, simplesmente, as pessoas bradarão contra isso. Gostaria muito de acreditar.
Mas, infelizmente, ocorreu essa enorme tragédia, acabando com casas, paisagens, com vidas. E como sempre se segue após esses lamentáveis acontecimentos, começam na mídia a exposição de imagens e notícias, depoimentos, tristezas.
Não recrimino que transmitam operações de resgate, histórias de salvamentos e consequências. Mesmo os fatos tristes, números, são importantes para informar a população. Todos queremos saber e torcer para algum desfecho feliz, por menor que seja.
O que não suporto mais, é a atitude vil de alguns repórteres, que não medem esforços para conseguir sua matéria. Se estão sob ordens ou não, não interessa.
Dias depois do acidente, acompanhei uma reportagem sobre o assunto na TV e vi uma senhora, velhinha, chorando, cabeça baixa, mão direita na testa e um microfone abaixo dos seus olhos.
- Quem a senhora perdeu? - perguntou o repórter, com uma voz forçando um tom triste.
Tudo, para a triste senhora dizer, soluçando, alguns entes queridos que haviam morrido no desabamento.
Meu Deus! Quem precisa saber disso? Como estaremos ajudando aquela mãe com perguntas, ou transportando para o Brasil inteiro sua dor?
Vendo isso, me dei conta, que em minha vida inteira observei esse fato: depois das tragédias vem alguns - eu disse alguns, não generalizo! - repórteres, como urubus, procurando tirar seu sustento da morte e sofrimento alheio.
Prefiro acreditar que essas entrevistas forçadas - e dolorosas - não vendem jornais ou aumentem a audiência. Que essa morbidez um dia acabará, porque, simplesmente, as pessoas bradarão contra isso. Gostaria muito de acreditar.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A natureza (contos de Zazu)
Um dia Zazu conheceu um rapaz da cidade grande - mais um dos muitos outros que já havia conhecido, já que sua bela cidade é um ponto turístico. Como um bom pensador, não perde oportunidade de conversar com pessoas de fora, adora saber sobre outras culturas e, também, transmitir o que já aprendeu.
Como o novo amigo disse que ama a natureza mas, infelizmente, não tem oportunidade de ter contato com ela, o levou a um lugar bonito, leito de um rio, próximo a uma cachoeira. Ali, em meio à floresta fechada, o barulho da queda d´água era constante e sereno e a paz fazia pensar como devia ser a vida dos primeiros brasileiros antes dos portugueses chegarem.
Zazu, mostrando toda aquela beleza à sua volta e comentando como devia ser boa a vida dos índios, antigamente, disse:
- Meu amigo, o homem é um bicho estranho. Você sabe que o homem é um bicho, não é? Um como qualquer outro, é que a gente se esquece disso, parece que somos mais importantes, mas, no final das contas, somos um bicho como qualquer outro dessa floresta. Só que, se você pensar, somos o único que perdeu o contato com a natureza, que é a nossa casa de verdade. Criamos cidades, cobrimos a terra com asfalto, levantamos muros de concreto, e cada vez mais criamos barreiras entre a natureza e nós.
"Por isso, quando tiver possibilidade, nunca perca a chance de retomar o contato com ela, é o que nos renova e faz a vida ter sentido de novo."
Disse e pediu para que o rapaz repetisse seu gesto, colocando os pulsos na água gelada da cachoeira e jogando em seu rosto.
- Sinta o ligeiro choque da água no pulso e a refrescância dela em seu rosto. - completou.
Para um jovem da cidade grande ainda era difícil de compreender, parecia mais uma "viagem", mas, bem no fundo, ele sabia que Zazu tinha razão.
Voltou para sua cidade imersa em concreto e buzinas com a certeza de que nunca mais desperdiçaria a chance de aproveitar um contato maior com a natureza.
Como o novo amigo disse que ama a natureza mas, infelizmente, não tem oportunidade de ter contato com ela, o levou a um lugar bonito, leito de um rio, próximo a uma cachoeira. Ali, em meio à floresta fechada, o barulho da queda d´água era constante e sereno e a paz fazia pensar como devia ser a vida dos primeiros brasileiros antes dos portugueses chegarem.
Zazu, mostrando toda aquela beleza à sua volta e comentando como devia ser boa a vida dos índios, antigamente, disse:
- Meu amigo, o homem é um bicho estranho. Você sabe que o homem é um bicho, não é? Um como qualquer outro, é que a gente se esquece disso, parece que somos mais importantes, mas, no final das contas, somos um bicho como qualquer outro dessa floresta. Só que, se você pensar, somos o único que perdeu o contato com a natureza, que é a nossa casa de verdade. Criamos cidades, cobrimos a terra com asfalto, levantamos muros de concreto, e cada vez mais criamos barreiras entre a natureza e nós.
"Por isso, quando tiver possibilidade, nunca perca a chance de retomar o contato com ela, é o que nos renova e faz a vida ter sentido de novo."
Disse e pediu para que o rapaz repetisse seu gesto, colocando os pulsos na água gelada da cachoeira e jogando em seu rosto.
- Sinta o ligeiro choque da água no pulso e a refrescância dela em seu rosto. - completou.
Para um jovem da cidade grande ainda era difícil de compreender, parecia mais uma "viagem", mas, bem no fundo, ele sabia que Zazu tinha razão.
Voltou para sua cidade imersa em concreto e buzinas com a certeza de que nunca mais desperdiçaria a chance de aproveitar um contato maior com a natureza.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Seu Zazu
Seu Zazu é um senhor do sertão. Um típico sábio do interior do nosso país. Um homem maduro, em suas palavras "mais pra acolá do que pra cá, mas que ainda quebra o côco".
O passatempo preferido de Zazu é matutar. Matuta sobre a vida, sobre tudo.
Fosse um europeu ou americano, seria definido como um pensador. Assim como, fosse a Serra da Capivara - no Piauí - uma região da América do Norte, toda a teoria de ocupação do nosso continente já haveria mudado. Mas como um bom filho do solo brasileiro, ele não liga. Não precisa de rótulos. A sabedoria e a verdade são muito maiores que isso.
Apenas enrola seu fumo na humilde palha de milho e matuta, matuta...
O passatempo preferido de Zazu é matutar. Matuta sobre a vida, sobre tudo.
Fosse um europeu ou americano, seria definido como um pensador. Assim como, fosse a Serra da Capivara - no Piauí - uma região da América do Norte, toda a teoria de ocupação do nosso continente já haveria mudado. Mas como um bom filho do solo brasileiro, ele não liga. Não precisa de rótulos. A sabedoria e a verdade são muito maiores que isso.
Apenas enrola seu fumo na humilde palha de milho e matuta, matuta...
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O segredo do sucesso
Todo fim de ano é aquela alegria, pessoas contentes pelos feriados, festa de Reveillon, tudo trazendo a bonita esperança de um ano melhor.
Aliás, um gênio a pessoa que inventou o "Ano Novo". Este ser iluminado renovou a esperança da humanidade. Não importa o quanto o ano foi difícil ou ruim, sempre temos aquela imagem de que virá um novinho em folha para começarmos a escrever, do "zero", e essa renovação de ânimo faz, com toda certeza, que o ano seguinte seja melhor.
Não à toa, é época das promessas para o ano vindouro: "serei uma pessoa melhor", "vou comer menos", "não vou puxar as trancinhas da menina chata que senta do meu lado na escola", enfim, são inúmeras.
Se alguém me pedisse uma dica para sua evolução em 2010 eu daria o segredo do sucesso. Sim, esse ano eu descobri o segredo do sucesso. Simples assim. Não que eu já me considere uma pessoa de sucesso - estou buscando o meu -, mas já sei o caminho.
Alguns podem reclamar "como você se acha sabichão!", ou sapatear dizendo "humpft! Ele se acha!". Quem discordar, tem esse humilde espaço para esbravejar - o que eu acho difícil, e já explico o porquê.
Não tirei essa conclusão trancado em meu quarto, meditando - apesar disso ser uma ótima coisa a se fazer - ou filosofando sobre qual o segredo do sucesso. Percebi observando a maioria dos meus amigos que, hoje, estão se dando bem em suas carreiras ou outras pessoas que progrediram muito em suas vidas. Todas elas, sem exceção, possuem um ponto em comum: dão o máximo de si para fazerem bem o que lhes é confiado. Não importa o serviço que presta, se é grande ou pequeno, onde trabalha, o patrão que tem, etc. Todos que fazem bem feito o que tem que fazer no dia a dia, vão tendo cada vez mais sucesso na vida. É fato!
Já ouvi reclamações do tipo "não sou reconhecido", ou "meu chefe é um crápula!". Nessas ocasiões é comum - e aceitavelmente humano - a pessoa desanimar, passar a fazer um serviço "meia-boca", enfim, ir levando a vida, sem se esforçar, para receber seu salário no fim do mês até que ache algum emprego melhor. Triste engano.
Quando mais novo (como o tempo passa, a cada dia mais uso essa expressão...) trabalhei no McDonald´s, assim, me familiarizo sempre aos funcionários quando vou até lá. Sabem quantos atendentes me olham no olho quando eu chego, abrem um sorriso e perguntam se está tudo bem, realmente interessados em saber o que perguntam? Raros. E quando encontro essa cena, penso comigo mesmo "caramba, que carinha gente boa!".
A partir desses pensamentos me seguiam outros. É curioso eu me surpreender com um atendimento muito simpático e um sorriso amigo, quando, na verdade, isso deveria ser uma obrigação. A empresa o paga - bem ou mal, não importa - para isso.
Mesmo em casos de não se ter perspectivas futuras na empresa, um chefe que não valoriza, não ser completamente profissional é "dar um tiro nó pé". Do mesmo jeito que eu me surpreendo ao ser bem atendido no Mc, um empresário pode pensar o mesmo e fazer uma proposta de emprego. Isso em qualquer lugar.
O que falta hoje em dia - é uma raridade! - são pessoas que não importando se devem vender um produto, limpar o chão, fazer um sanduíche, qualquer coisa, procuram fazer algo muito bem feito. Pode não ser o melhor profissional, mas será o melhor profissional que pode.
Este é o segredo do sucesso: independente do quanto ganha, ou para quem trabalha, se isto lhe é confiado, faça com o maior amor e carinho possível, alguém reconhecerá. E mesmo que ninguém reconhecesse, você saberia que fez bem feito. Já é o suficiente.
Aliás, um gênio a pessoa que inventou o "Ano Novo". Este ser iluminado renovou a esperança da humanidade. Não importa o quanto o ano foi difícil ou ruim, sempre temos aquela imagem de que virá um novinho em folha para começarmos a escrever, do "zero", e essa renovação de ânimo faz, com toda certeza, que o ano seguinte seja melhor.
Não à toa, é época das promessas para o ano vindouro: "serei uma pessoa melhor", "vou comer menos", "não vou puxar as trancinhas da menina chata que senta do meu lado na escola", enfim, são inúmeras.
Se alguém me pedisse uma dica para sua evolução em 2010 eu daria o segredo do sucesso. Sim, esse ano eu descobri o segredo do sucesso. Simples assim. Não que eu já me considere uma pessoa de sucesso - estou buscando o meu -, mas já sei o caminho.
Alguns podem reclamar "como você se acha sabichão!", ou sapatear dizendo "humpft! Ele se acha!". Quem discordar, tem esse humilde espaço para esbravejar - o que eu acho difícil, e já explico o porquê.
Não tirei essa conclusão trancado em meu quarto, meditando - apesar disso ser uma ótima coisa a se fazer - ou filosofando sobre qual o segredo do sucesso. Percebi observando a maioria dos meus amigos que, hoje, estão se dando bem em suas carreiras ou outras pessoas que progrediram muito em suas vidas. Todas elas, sem exceção, possuem um ponto em comum: dão o máximo de si para fazerem bem o que lhes é confiado. Não importa o serviço que presta, se é grande ou pequeno, onde trabalha, o patrão que tem, etc. Todos que fazem bem feito o que tem que fazer no dia a dia, vão tendo cada vez mais sucesso na vida. É fato!
Já ouvi reclamações do tipo "não sou reconhecido", ou "meu chefe é um crápula!". Nessas ocasiões é comum - e aceitavelmente humano - a pessoa desanimar, passar a fazer um serviço "meia-boca", enfim, ir levando a vida, sem se esforçar, para receber seu salário no fim do mês até que ache algum emprego melhor. Triste engano.
Quando mais novo (como o tempo passa, a cada dia mais uso essa expressão...) trabalhei no McDonald´s, assim, me familiarizo sempre aos funcionários quando vou até lá. Sabem quantos atendentes me olham no olho quando eu chego, abrem um sorriso e perguntam se está tudo bem, realmente interessados em saber o que perguntam? Raros. E quando encontro essa cena, penso comigo mesmo "caramba, que carinha gente boa!".
A partir desses pensamentos me seguiam outros. É curioso eu me surpreender com um atendimento muito simpático e um sorriso amigo, quando, na verdade, isso deveria ser uma obrigação. A empresa o paga - bem ou mal, não importa - para isso.
Mesmo em casos de não se ter perspectivas futuras na empresa, um chefe que não valoriza, não ser completamente profissional é "dar um tiro nó pé". Do mesmo jeito que eu me surpreendo ao ser bem atendido no Mc, um empresário pode pensar o mesmo e fazer uma proposta de emprego. Isso em qualquer lugar.
O que falta hoje em dia - é uma raridade! - são pessoas que não importando se devem vender um produto, limpar o chão, fazer um sanduíche, qualquer coisa, procuram fazer algo muito bem feito. Pode não ser o melhor profissional, mas será o melhor profissional que pode.
Este é o segredo do sucesso: independente do quanto ganha, ou para quem trabalha, se isto lhe é confiado, faça com o maior amor e carinho possível, alguém reconhecerá. E mesmo que ninguém reconhecesse, você saberia que fez bem feito. Já é o suficiente.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Trio em Poço Redondo-SE
Há aquelas vezes em que queremos muito bater uma foto ou fazer uma filmagem e aparece a mensagem na câmera: bateria acabando. Que desespero! Conversamos com ela, pedimos, numa vã esperança de que ela nos ouça e, mais difícil, obedeça.
Em Poço das Trincheiras passei por isso novamente. Estávamos num bar, ouvindo um trio tocando um forró de primeira, quando resolvi filmar uma música que gostamos muito, do Luiz Gonzaga.
Curioso como mudam as regiões, gostos musicais, mas as atitudes das pessoas parecem as mesmas. Aqui pelo sudeste estamos muito acostumados a ouvir a brincadeira "toca Raul" numa roda de violão. Geralmente, porque muitos fãs ardorosos do cantor pediam uma música atrás da outra quando a viola chorava. Uma pena, eu adoro Raul e é triste ouvir piadas jocosas sobre um grande artista.
Me espantei ao ouvir algo semelhante, em Sergipe, em relação a uma música do Luiz Gonzaga: Samarica Parteira. Entre uma música e outra uns gritavam: "toca Samarica parteira!" e risos.
Até que uma aniversariante da noite foi até o microfone indignada e pediu aquela música, de verdade, dizendo que achava triste que as pessoas dali não davam "valor às coisas da terra".
Então, o sanfoneiro - muito bom, por sinal - disse: "Olha, alguns podem reclamar, mas se aqui, pelo menos uma pessoa gostar, eu já me dou por satisfeito essa noite!".
Nem preciso dizer que muitas pessoas adoraram, nós e muitos da própria cidade.
Segue o vídeo, até onde a bateria aguentou...
Em Poço das Trincheiras passei por isso novamente. Estávamos num bar, ouvindo um trio tocando um forró de primeira, quando resolvi filmar uma música que gostamos muito, do Luiz Gonzaga.
Curioso como mudam as regiões, gostos musicais, mas as atitudes das pessoas parecem as mesmas. Aqui pelo sudeste estamos muito acostumados a ouvir a brincadeira "toca Raul" numa roda de violão. Geralmente, porque muitos fãs ardorosos do cantor pediam uma música atrás da outra quando a viola chorava. Uma pena, eu adoro Raul e é triste ouvir piadas jocosas sobre um grande artista.
Me espantei ao ouvir algo semelhante, em Sergipe, em relação a uma música do Luiz Gonzaga: Samarica Parteira. Entre uma música e outra uns gritavam: "toca Samarica parteira!" e risos.
Até que uma aniversariante da noite foi até o microfone indignada e pediu aquela música, de verdade, dizendo que achava triste que as pessoas dali não davam "valor às coisas da terra".
Então, o sanfoneiro - muito bom, por sinal - disse: "Olha, alguns podem reclamar, mas se aqui, pelo menos uma pessoa gostar, eu já me dou por satisfeito essa noite!".
Nem preciso dizer que muitas pessoas adoraram, nós e muitos da própria cidade.
Segue o vídeo, até onde a bateria aguentou...
domingo, 20 de dezembro de 2009
A docência, um sonho concretizado (Sonhos, medos e realizações de uma professora do Maranhão) - por Janilde Fernandes
Tudo começou em 2002, vestibular para pedagogia, aprovação... Muitas expectativas, vontade de aprender e um certo medo de não me encontrar e não me sentir realizada.
Na faculdade pude conhecer algumas teorias, entender a evolução da educação e, em muitas aulas, haviam "discussões", pois algumas alunas já eram professoras e sempre diziam que a realidade na sala de aula era muito difícil. Quando ouvia isso confesso que aquele medo de início aumentava.
Lembro como hoje da minha primeira aula (era estágio da faculdade), passei horas e horas pensando em cada detalhe e, quando entrei na sala, aquele friozinho na barriga foi inevitável. Este foi meu primeiro contato com os alunos e naquele momento tive a certeza que aquele era o meu mundo.
Passaram-se alguns meses após a conclusão do curso de pedagogia, fiz um concurso, fui aprovada e, a partir daí, o meu sonho de ser professora se concretizava.
Como dizem, no inicio tudo são flores, e de fato foi. Cheguei cheia de sonhos, com uma vontade enorme de colocar em prática todas as teorias aprendidas, mas logo percebi as grandes dificuldades - aquelas que escutava de minhas amigas na época de faculdade, bateu-me um desespero e uma angústia.
Quantas vezes ouvi de algumas colegas (que já tinham anos de sala de aula) "não sonha tão alto, a realidade é muito dura"...
Só que sempre tive esperança e acreditava que eu podia fazer diferente. Não era justo comigo e com meus alunos aceitar essa realidade e foi com essa vontade que nunca desisti.
As dificuldades existem (salários baixos, falta de recursos, ausência da família...), é uma verdade, mas quando queremos algo verdadeiramente ele se realiza.
Se me perguntarem: vale a pena ser professora? Claro que vale. E muito! Os desafios são diários, mas a felicidade em saber que seu aluno aprendeu com você e que você também aprendeu com ele não tem preço.
Janilde é professora de Balsas, interior do Maranhão
Na faculdade pude conhecer algumas teorias, entender a evolução da educação e, em muitas aulas, haviam "discussões", pois algumas alunas já eram professoras e sempre diziam que a realidade na sala de aula era muito difícil. Quando ouvia isso confesso que aquele medo de início aumentava.
Lembro como hoje da minha primeira aula (era estágio da faculdade), passei horas e horas pensando em cada detalhe e, quando entrei na sala, aquele friozinho na barriga foi inevitável. Este foi meu primeiro contato com os alunos e naquele momento tive a certeza que aquele era o meu mundo.
Passaram-se alguns meses após a conclusão do curso de pedagogia, fiz um concurso, fui aprovada e, a partir daí, o meu sonho de ser professora se concretizava.
Como dizem, no inicio tudo são flores, e de fato foi. Cheguei cheia de sonhos, com uma vontade enorme de colocar em prática todas as teorias aprendidas, mas logo percebi as grandes dificuldades - aquelas que escutava de minhas amigas na época de faculdade, bateu-me um desespero e uma angústia.
Quantas vezes ouvi de algumas colegas (que já tinham anos de sala de aula) "não sonha tão alto, a realidade é muito dura"...
Só que sempre tive esperança e acreditava que eu podia fazer diferente. Não era justo comigo e com meus alunos aceitar essa realidade e foi com essa vontade que nunca desisti.
As dificuldades existem (salários baixos, falta de recursos, ausência da família...), é uma verdade, mas quando queremos algo verdadeiramente ele se realiza.
Se me perguntarem: vale a pena ser professora? Claro que vale. E muito! Os desafios são diários, mas a felicidade em saber que seu aluno aprendeu com você e que você também aprendeu com ele não tem preço.
Janilde é professora de Balsas, interior do Maranhão
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Maria e João
Maria mudou-se com seu marido, João, para um bairro mais afastado. Moravam antes no quintal de seu pai e seu esposo, um dia, chegou com a notícia: "Comprei um terreno!".
Assim que viu o local, se assustou. "Meu Deus, aqui é só mato!", pensou, olhando as poucas casas que haviam na região em meio a uma vegetação rasteira e sem cuidado.
João - que trabalhava como pedreiro - construiu o primeiro lar do casal: dois cômodos e um banheiro; e assim que as paredes ganharam o reboco e o chão o cimento queimado, puderam se mudar para a nova casa.
No princípio, aquela dificuldade em se adaptar. "Parece que aqui não tem nada", pensava enquanto andava um bom tempo para buscar agua na bica que havia no bairro, já que água encanada, esgoto e luz elétrica era algo impensado na região. A maioria das vezes era João quem buscava a água, com baldes amarrados em seu carrinho de mão.
Alguns vizinhos, mais sortudos, conseguiram achar o precioso líquido perfurando poços ao lado de suas casas. "Nós perfuramos alguns buracos e nada...", lamentava.
Com a permissão do vizinho, nos meses seguintes, João fez uma ligação com canos por baixo da terra de seu poço até sua casa. Assim, diminuíram as andanças diárias até a bica.
Mudaram com uma filha de 2 anos e logo Maria engravidou. Pouco depois que o bebê nasceu: engravidou de novo.
"Um dos maiores sacrifícios era andar até o Posto de Saúde, em meio ao mato, com um bebê de 6 meses no colo, puxando uma filha de 3 anos pela mão e uma barriga grande pesando!"
O tempo foi passando. Entre sustos e risadas com o grande número de sapos que povoavam o local, João foi colocando azulejos na cozinha, melhorando as paredes da casa, aumentando mais um cômodo ao lado. A vida foi passando e as crianças crescendo, como qualquer outra família feliz brasileira.
Maria ainda mora na mesma casa, hoje, um gostoso sobrado.
Onde? Algum lugar remoto do Brasil? Interior do Maranhão? Do Piauí?
Não, mora na Grande São Paulo, em Carapicuíba, e a história se passou a 26 anos atrás. Ela é minha paciente e onde eu tenho consultório - hoje uma rua movimentada, asfaltada, onde carros, caminhões e ônibus ferozes disputam palmo a palmo o espaço sob enormes postes e fios de alta tensão - era um dos caminhos de terra por onde ela passava a pouquíssimos anos atrás carregando suas três filhas, rumo a uma antiga bica d´agua.
Assim que viu o local, se assustou. "Meu Deus, aqui é só mato!", pensou, olhando as poucas casas que haviam na região em meio a uma vegetação rasteira e sem cuidado.
João - que trabalhava como pedreiro - construiu o primeiro lar do casal: dois cômodos e um banheiro; e assim que as paredes ganharam o reboco e o chão o cimento queimado, puderam se mudar para a nova casa.
No princípio, aquela dificuldade em se adaptar. "Parece que aqui não tem nada", pensava enquanto andava um bom tempo para buscar agua na bica que havia no bairro, já que água encanada, esgoto e luz elétrica era algo impensado na região. A maioria das vezes era João quem buscava a água, com baldes amarrados em seu carrinho de mão.
Alguns vizinhos, mais sortudos, conseguiram achar o precioso líquido perfurando poços ao lado de suas casas. "Nós perfuramos alguns buracos e nada...", lamentava.
Com a permissão do vizinho, nos meses seguintes, João fez uma ligação com canos por baixo da terra de seu poço até sua casa. Assim, diminuíram as andanças diárias até a bica.
Mudaram com uma filha de 2 anos e logo Maria engravidou. Pouco depois que o bebê nasceu: engravidou de novo.
"Um dos maiores sacrifícios era andar até o Posto de Saúde, em meio ao mato, com um bebê de 6 meses no colo, puxando uma filha de 3 anos pela mão e uma barriga grande pesando!"
O tempo foi passando. Entre sustos e risadas com o grande número de sapos que povoavam o local, João foi colocando azulejos na cozinha, melhorando as paredes da casa, aumentando mais um cômodo ao lado. A vida foi passando e as crianças crescendo, como qualquer outra família feliz brasileira.
Maria ainda mora na mesma casa, hoje, um gostoso sobrado.
Onde? Algum lugar remoto do Brasil? Interior do Maranhão? Do Piauí?
Não, mora na Grande São Paulo, em Carapicuíba, e a história se passou a 26 anos atrás. Ela é minha paciente e onde eu tenho consultório - hoje uma rua movimentada, asfaltada, onde carros, caminhões e ônibus ferozes disputam palmo a palmo o espaço sob enormes postes e fios de alta tensão - era um dos caminhos de terra por onde ela passava a pouquíssimos anos atrás carregando suas três filhas, rumo a uma antiga bica d´agua.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Uma noite no teatro
Uma das atrações mais esperadas pelas crianças nas escolas em que passamos é o Teatro de Marionetes. Apresentado pela Cia de Inventos (Bernardo e Renata, Tiradentes-MG), com a ajuda do Leandro no som e do Luis no microfone, é a atração que, geralmente, fecha os trabalhos.
Os bonecos parecem ter vida, puxados pelos fios nas mãos do Bernardo. O tipo de programa que, como muitos desenhos da Disney, empolga tanto as crianças como os adultos.
Nesse espetáculo eles fazem o enterro de um boneco. Uma cena "triste" e macabra. HUAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
Os bonecos parecem ter vida, puxados pelos fios nas mãos do Bernardo. O tipo de programa que, como muitos desenhos da Disney, empolga tanto as crianças como os adultos.
Nesse espetáculo eles fazem o enterro de um boneco. Uma cena "triste" e macabra. HUAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Questões básicas - por (Sabrina Bonfim)
Realmente o texto da Janilde é ótimo, fez um comentario que é a realidade...o trabalho é muito mais que prestar atendimentos em saúde. Isso mexe com outras questões tão básicas que normalmente acabam passando batido na correria diária.
Quando retornamos de viagem em setembro, participei da Special Olympics Brasil (que por incrível que pareça é um evento muito maior que as Para-Olimpiadas e ninguém conhece), me ví em situações bem difíceis, sem saber bem como lidar com esse perfil de paciente: não são deficientes físicos, são deficientes intelectuais (Sd Down, Paralisia cerebral, sindromes diversas que causam atraso de desenvolvimento, entre outros casos) e são atletas de várias modalidades!
Se você visse o rendimento deles no esporte, é incrível! Normalmente imaginamos que esse grupo é completamente excluido da sociedade, que poucos tem atividades, apenas nas entidades como as APAEs por exemplo, aí dentro do Parque São Jorge vejo que o Corinthians patrocina um time de futebol com esses meninos, e isso dificilmente tem cobertura da midia ou incentivo de empresas privadas/patrocinio.
Foi um atendimento bem diferenciado e com apoio de outras especialidades como a odonto e ortopedia!
Essas experiencias nos engrandecem, mas ainda assim prefiro esquecer de tudo aqui em SP, fazer as malas, dormir nas casinhas simples da comunidade, conhecer os "potós", acordar com aquele sol lindo as 5:00 da manhã, poder trabalhar o dia todo com uma comunidade tão diferente e ao mesmo tempo tão próxima de nós, que demostram carinho e satisfação com nossa visita... apesar da bagunça em que tranformamos a cidade...e o melhor....dançar e tomar uma cervejinha a noite, sem grandes preocupações, voltar para casa com muita história pra contar e já pensando"Quando será a próxima?"
Quando retornamos de viagem em setembro, participei da Special Olympics Brasil (que por incrível que pareça é um evento muito maior que as Para-Olimpiadas e ninguém conhece), me ví em situações bem difíceis, sem saber bem como lidar com esse perfil de paciente: não são deficientes físicos, são deficientes intelectuais (Sd Down, Paralisia cerebral, sindromes diversas que causam atraso de desenvolvimento, entre outros casos) e são atletas de várias modalidades!
Se você visse o rendimento deles no esporte, é incrível! Normalmente imaginamos que esse grupo é completamente excluido da sociedade, que poucos tem atividades, apenas nas entidades como as APAEs por exemplo, aí dentro do Parque São Jorge vejo que o Corinthians patrocina um time de futebol com esses meninos, e isso dificilmente tem cobertura da midia ou incentivo de empresas privadas/patrocinio.
Foi um atendimento bem diferenciado e com apoio de outras especialidades como a odonto e ortopedia!
Essas experiencias nos engrandecem, mas ainda assim prefiro esquecer de tudo aqui em SP, fazer as malas, dormir nas casinhas simples da comunidade, conhecer os "potós", acordar com aquele sol lindo as 5:00 da manhã, poder trabalhar o dia todo com uma comunidade tão diferente e ao mesmo tempo tão próxima de nós, que demostram carinho e satisfação com nossa visita... apesar da bagunça em que tranformamos a cidade...e o melhor....dançar e tomar uma cervejinha a noite, sem grandes preocupações, voltar para casa com muita história pra contar e já pensando"Quando será a próxima?"
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O dia mundial contra a corrupção
Estava vindo para o trabalho no carro, hoje de manhã, e ouvi na CBN (rádio de notícias daqui de São Paulo) sobre o "Dia mundial contra a corrupção".
É triste mas, infelizmente, realmente é preciso que este dia seja criado. A honestidade, a ética, são coisas tão básicas - e tão necessárias para o convívio em sociedade - que deveriam ser inerentes ao homem. Mas não é.
Um dia da luta contra a corrupção, a princípio, me soa como a velha história do "dia das mães" ou "dos pais": nem deveriam existir, pois devem ser todos os dias.
Essa nova data no calendário, mostra o quanto ainda estamos atrasados nessa luta; ainda nem tínhamos um dia por ano dedicado a se pensar seriamente no assunto.
Indo um pouco mais a fundo, cheguei a uma conclusão (que muitos podem discordar): a única arma para combater a corrupção é a educação.
Alguns podem dizer: "temos que vigiar mais os atos dos governantes". Para mim isso é automático. Um país onde a educação é boa, gera uma população mais participativa e automaticamente observará mais os assuntos que importam para sua vida.
Outros retrucarão: "na verdade temos que aumentar a punição!". Pra mim, isso está englobado à educação. Um povo culto, cobrará mais e exigirá que os corruptos sejam punidos.
Não é estranho o interesse em manter nossa educação do jeito que está. Já dizia a letra de um reggae - muito bom - do Natiruts: "sabedoria do povo daqui, é o medo dos homens de lá..."
É triste mas, infelizmente, realmente é preciso que este dia seja criado. A honestidade, a ética, são coisas tão básicas - e tão necessárias para o convívio em sociedade - que deveriam ser inerentes ao homem. Mas não é.
Um dia da luta contra a corrupção, a princípio, me soa como a velha história do "dia das mães" ou "dos pais": nem deveriam existir, pois devem ser todos os dias.
Essa nova data no calendário, mostra o quanto ainda estamos atrasados nessa luta; ainda nem tínhamos um dia por ano dedicado a se pensar seriamente no assunto.
Indo um pouco mais a fundo, cheguei a uma conclusão (que muitos podem discordar): a única arma para combater a corrupção é a educação.
Alguns podem dizer: "temos que vigiar mais os atos dos governantes". Para mim isso é automático. Um país onde a educação é boa, gera uma população mais participativa e automaticamente observará mais os assuntos que importam para sua vida.
Outros retrucarão: "na verdade temos que aumentar a punição!". Pra mim, isso está englobado à educação. Um povo culto, cobrará mais e exigirá que os corruptos sejam punidos.
Não é estranho o interesse em manter nossa educação do jeito que está. Já dizia a letra de um reggae - muito bom - do Natiruts: "sabedoria do povo daqui, é o medo dos homens de lá..."
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Um dia após o outro
No dia 10 de junho operei meu joelho. Depois de passar quase 3 anos com o ligamento semi-rompido, o torci novamente em fevereiro, no meio de uma viagem, em São Raimundo Nonato-PI.
Estávamos no meio do trabalho e ainda atenderia no dia seguinte, na mesma cidade, e mais três dias em Crateús-CE. Não conseguia apoiar o pé no chão e para onde quer que fosse precisava chamar meus amigos para me carregarem. Um sufoco!
Voltei para São Paulo, operei o ligamento e usei muletas por vinte dias. Segundo meu médico - um ótimo médico, por sinal - a recuperação total dependeria do quanto eu me empenhasse nos exercícios de recuperação: fisioterapia e depois musculação.
E este é o motivo de minha felicidade atual! Ontem, dia 7 de dezembro, foi o primeiro dia em que voltei a correr. Não foram nem 5 minutos, porém o bastante para ver que o joelho está bem recuperado.
Pois é, na vida as coisas são assim: pode acontecer uma torção forte, pode até surgir uma operação no caminho, mas sempre, depois, vem uma recuperação, que faz uma simples corrida ser gostosa como eu nunca tinha sentido antes.
Estávamos no meio do trabalho e ainda atenderia no dia seguinte, na mesma cidade, e mais três dias em Crateús-CE. Não conseguia apoiar o pé no chão e para onde quer que fosse precisava chamar meus amigos para me carregarem. Um sufoco!
Voltei para São Paulo, operei o ligamento e usei muletas por vinte dias. Segundo meu médico - um ótimo médico, por sinal - a recuperação total dependeria do quanto eu me empenhasse nos exercícios de recuperação: fisioterapia e depois musculação.
E este é o motivo de minha felicidade atual! Ontem, dia 7 de dezembro, foi o primeiro dia em que voltei a correr. Não foram nem 5 minutos, porém o bastante para ver que o joelho está bem recuperado.
Pois é, na vida as coisas são assim: pode acontecer uma torção forte, pode até surgir uma operação no caminho, mas sempre, depois, vem uma recuperação, que faz uma simples corrida ser gostosa como eu nunca tinha sentido antes.
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